Novela de Ana Teresa Pereira inspira ópera de Ana Seara para estrear em Setembro

A novela “Até que a morte nos separe”, da escritora madeirense Ana Teresa Pereira (Relógio d’Água, 2000) inspirou um trabalho operático da compositora Ana Seara. Esta ópera em um acto será apresentada em estreia absoluta no OperaFest21, em Lisboa, que se realiza a 3 e 4 de Setembro deste ano, no jardim do Museu Nacional de Arte Antiga, numa sessão em também será apresentada a cantata cénica “Mahagonny Songspiel”, de Kurt Weill, resultante de uma colaboração com Bertold Brecht em 1927.

Na criação literária de Ana Teresa Pereira, adaptada a ópera, os intérpretes das personagens Pat, Tom e Emilie são, respectivamente, Mariana de Sousa, Christian Luján e Célia Teixeira.

A direcção musical é de Jan Wierzba e a direcção cénica, da responsabilidade de António Pires.

Este trabalho surge aqui, como diz a organização, “em atmosfera de film noir”, revelando “a história e um  inspector da polícia assombrado por ter morto, num fogo cruzado, um inocente professor de literatura, acabando por ter um caso com uma jovem misteriosa, com quem casa e leva a morar com a sua filha cega. A filha morre e o segredo da jovem esposa é revelado. “Há momentos em que a felicidade é mais intensa que o horror, quando lemos um livro juntos, quantos nos amamos(…) no entanto um de nós matará o outro, ambos o sabemos. Aquele que deixará de amar primeiro.”

Ana Seara é uma compositora nascida em Coimbra, em 1985. Concluiu com distinção o Curso Complementar de Composição do Conservatório de Música Calouste Gulbenkian de Braga, com Paulo Bastos. No âmbito deste curso foram estreadas algumas peças suas. Foi premiada, por 4 anos consecutivos, no Concurso Regional de Piano em Braga. Em 2007 concluiu a Licenciatura em Composição na Escola Superior de Música de Lisboa com 19 valores. Foi aluna de António Pinho Vargas, Christopher Bochmann, Carlos Caires, Luís Tinoco, João Madureira, Sérgio Azevedo, Carlos Fernandes, Roberto Pérez, José Luís Ferreira, Vasco Pearce de Azevedo, Benoît Gibson e Nuno Bettencourt Mendes.

Foi premiada em várias edições do Concurso de Composição do Festival de Música da Póvoa de Varzim com as peças Discursos (Menção Honrosa na categoria de Música de Câmara, 2006), Perpétuité (2º Prémio, Música de Orquestra, 2007), Poema, Mensagem (2º Prémio, Música de Câmara, 2008) e Le Foncé ciel de la Nuit Glacée (1º Prémio, Música de Orquestra, 2008). Ainda em 2007 compôs Opalescências, uma encomenda da Antena 2 para o Prémio Jovens Músicos, e Três Telas de Barcelona para a OrchestrUtopica, estreada no auditório da Culturgest em Lisboa e tocada depois no festival “Música Portuguesa, Hoje” no Centro Cultural de Belém, a convite de António Pinho Vargas.

Participou no II Atelier de Leitura para Jovens Compositores da Orquestra do Algarve e teve encomendas da Orquestra de Câmara de Cascais e Oeiras e do Grupo de Música Contemporânea de Lisboa. Neste momento, trabalha na sua tese de Mestrado em Composição na Universidade de Évora sob a orientação de Christopher Bochmann e co-orientação de Carlos Caires. Ensina no Conservatório de Música de Cascais e é membro da produção e programação da Orquestra de Câmara de Cascais e Oeiras (biografia/Casa da Música).

Ana Teresa Pereira é a conhecida e singularíssima escritora portuguesa nascida e residente na Madeira. Frequentou um curso de guia intérprete, actividade que abandonou aos vinte e cinco anos para estudar Filosofia na Faculdade de Letras de Lisboa. Contudo, no final do segundo ano, abandonará também a Filosofia e regressará ao Funchal, onde se dedicará exclusivamente à prática da escrita tendo uma longa e variada carreira literária.

Estreou-se em 1989 com o romance Matar a Imagem, vencedor do Prémio Caminho de Literatura Policial. Esta incursão pelo género policial não se revelará, no entanto, exclusiva. Marca do seu estilo único será uma invulgar capacidade de fundir os géneros, criando um universo muito seu: «Há um enigma em torno de Ana Teresa Pereira. Desde 1989 […] que publica com uma impressionante regularidade livros que cada vez mais se assemelham ao mesmo livro. Uma notável capacidade de construção literária […] permite-lhe manter a agilidade propícia à variação. Mas Ana Teresa Pereira possui inequivocamente um território. E explora-o de um modo que só podemos classificar de “obcecado”. As personagens transitam de livro para livro com nomes que quase se confundem.» (Eduardo Prado Coelho, sobre O Rosto de Deus).

Tem colaboração nos jornais Público e Diário de Notícias (Funchal) e nas revistas Islenha e Margem 2 (ambas do Funchal) [biografia Direcção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas (DGLAB)].

Já conquistou numerosos prémios literários: O “Edmundo de Bettencourt” em 2006 e 2010, atribuído pela Câmara Municipal do Funchal; o Prémio Máxima de Literatura, também em 2006; o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores, em 2011, com “O Lago”; e, mais recentemente, em 2016, o importante prémio “Oceanos”, com o livro “Karen”.

Em Abril deste ano, o FN falou num novo livro anunciado pela escritora, reunindo contos e prefácios, e intitulado “Como Se o Mundo Existisse”. Na altura Ana Teresa Pereira mencionava já a possibilidade de surgir esta ópera. A autora publicou em 2020 a obra de ficção, “Os Perseguidores”.