A deputada do CDS na ALRAM, Ana Cristina Monteiro, deu hoje uma conferência de imprensa junto da estátua de João Gonçalves Zarco, no centro do Funchal, para referir que o seu grupo parlamentar vai solicitar a inconstitucionalidade do Programa Regressar, estabelecido pelo Governo da República, e que vem apoiar os emigrantes do continente, bem como os seus descendentes e outros familiares que decidem regressar a Portugal, com o objectivo de conseguirem melhores condições, aproveitando as oportunidades que existem no nosso país.
“Este Programa Regressar inclui medidas como a comparticipação dos custos de viagem e transporte de bens, o reconhecimento de qualificações académicas ou profissionais, o apoio fiscal e desconto de 50% no IRS, um apoio financeiro para os emigrantes ou familiares de emigrantes que venham trabalhar para Portugal e uma linha de crédito para apoiar o investimento empresarial, a criação de novos negócios em território nacional, entre outras”, refere.
A questão, salienta, é que este Programa Regressar foi prorrogado até 2023 e, mais uma vez, excluiu as duas Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores.
“O Governo da República não fez nenhuma alteração das condições plasmadas no Programa Regressar, possibilitando os emigrantes e as suas respectivas famílias que pretendam regressar a Portugal (incluindo as duas Regiões Autónomas), beneficiarem das medidas ali plasmadas”, salientou Ana Cristina Monteiro.
Por isso o grupo parlamentar do CDS requererá ao Tribunal Constitucional, a declaração de inconstitucionalidade dos artigos 1.º, 2.º, 3.º, 4.º da Portaria n.º 214/2019 de 5 de julho, alterada recentemente pela Portaria n.º 23/2021 de 28 de Janeiro, (…) por conter normas claramente discriminatórias, violatórias dos artigos 9.º alínea d) e artigo 13.º da nossa Constituição que refere expressamente que: “Todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a lei.”; “O Estado tem como tarefa fundamental promover o bem-estar e a qualidade de vida do povo e a igualdade real entre os portugueses, bem como a efectivação dos direitos económicos, sociais, culturais e ambientais…”
Também o Governo dos Açores já se pronunciou relativamente a esta situação e o Governo da República continua sem fazer nada, denunciam os centristas.
A Madeira, que já recebeu cerca de 10 mil emigrantes na nossa Região, não encontra nenhuma justificação para ser excluída deste Programa Regressar.
A título de exemplo, cita o CDS, neste Programa Regressar os emigrantes vão ter um desconto de 50% no IRS e esta é uma competência exclusiva do Estado. “Nós, enquanto Regiões Autónomas, não podemos legislar sobre essa matéria. E foi a apatia, a inércia do Governo da República nesta situação que potenciou a nossa decisão de apresentar este pedido de inconstitucionalidade sobre estas normas para que possamos recuperar os direitos dos nossos emigrantes”, aponta Ana Cristina Monteiro.
Descubra mais sobre Funchal Notícias
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.





