Historiador Nelson Veríssimo traçou retrato vívido da peste no Funchal de 500

Nelson Veríssimo sempre foi um bom orador, capaz de prender uma audiência enquanto narrando factos históricos, frequentemente com uma nota de humor ou observações certeiras artilhadas. Hoje voltou, numa nota mais sombria, a não deixar os seus créditos de eloquência por mãos alheias, numa interessante conferência que se realizou na Igreja do Colégio. Sem ser demasiado longo ou maçudo, como o são tantos, o historiador traçou um quadro vívido do Funchal quinhentista, época em que, a partir de 1521 e durante vários anos, se registaram epidemias de peste que causaram elevada mortalidade.

As circunstâncias em que os responsáveis pela cidade delegaram em São Tiago Menor a esperança de intercessão junto de Deus para salvaguarda do povo da então ainda recente urbe atlântica foram descritas de forma absorvente ao público presente, que compareceu em bom número. Entre ele, várias entidades religiosas, encabeçadas pelo bispo do Funchal, D. Nuno Brás.

A ideia de castigo divino, à luz das mentalidades da época, atravessou toda a alocução de Nelson Veríssimo, que enumerou também as mezinhas e os tratamentos aplicados então a uma doença de causa desconhecida, que também lavrou em Machico. Algumas das medidas tomadas, comparou-as a certas atitudes assumidas hoje em dia perante doenças infecciosas com a Covid-19, com isolamentos, distanciamento social e cercas sanitárias. Foi interessante a reconstituição das atitudes e mentalidades da época.

A próxima alocução integrada neste ciclo dedicado aos 500 anos do voto a São Tiago Menor, conforme o FN já avançou, será protagonizada por Martinho Mendes, a 3 de Junho pelas 19h30.