Audição parlamentar do MEDIARAM: “Eles querem mais”

Casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão. Não vou falar aqui de provérbio, são os leitores que vão tentar adivinhar o que quero dizer. Aqui o verbo “sacar” é conjugado no imperativo: saca tu, sacai vós… A lei do MEDIARAM nasceu com a finalidade de solucionar o nascimento do JM e calar o Diário.
O “cangalheiro” do jornalismo isento que pariu este diploma chama-se Sérgio Marques. Era preciso acabar com o euromilhões para o Jornal, que foi bandeira dos partidos da oposição durante os governos de Jardim. Enterrar o machado de guerra, dividir o bolo ao meio.
Quando se fala no factor euro os contemplados abanam a cabeça. .Já cá canta o meu, o resto mais tarde discute-se… Mais de 640 mil euros servidos de bandeja para os dois matutinos. Aplausos!!! Na altura ninguém quis saber o destino desses muitos milhares de euros e a sua aplicação. O dinheiro é entregue ás administrações das duas empresas e o assunto está encerrado.
A CDU e o PSD pediram uma audição parlamentar que neste momento está em curso.
O dinheiro atribuído anualmente é transparentíssimo! Em vez de 300 mil euros, deveria até ser um milhão ou dois. Não vejo ninguém querer saber o que outros departamentos do governo e instituições, directa e indiretamente, publicitam nos dois matutinos, que que chegam a ser duas ou três vezes mais do que o MEDIARAM…
Quanto às rádios, já eram contempladas anualmente por outra rubrica dos anteriores governos e que o actual mantém. O maior detentor de rádios espalhadas em diversos concelhos da RAM é Jaime Ramos, que recebe 20.000 mil euros por cada emissor, mais de 100 mil por ano.
A Assembleia Regional sabe quantos trabalhadores têm essas rádios? É como a continência dos lobitos… E a Rádio Praia do Porto Santo, que recebe mais de 25.000 euros e só tem um trabalhador?
Entretanto, lamentava-se o presidente do sindicato dos jornalistas, na audição parlamentar de que tem de haver mais apoios para postos de trabalho… Esqueceu-se de que há uns anos atrás alinhava com as administrações para que os redactores do Diário levassem o gravador para as reportagens, efectuando o serviço da TSF  naquilo que chamavam energias de grupo, “turbina informativa”…. O retorno do bumerangue chegou entretanto, a memória é curta…
Neste momento a TSF tem dois trabalhadores  no desemprego. Brevemente vamos ouvir falar de que um em breve vai para “a santa casa da caridade governo”, embora o outro já não vá ter a mesma sorte, pois pertence a outra família política.
Mas já que estamos a falar de apoios, o Governo Regional requisitou os serviços da empresa do Diário de Notícias, por ajuste directo, para a produção e impressão de um livro sobre as comunidades madeirenses na Diáspora. Por 26.400 euros e com um prazo de execução que anda à volta de um ano.

O contrato é de Janeiro e invoca a inexistência de recursos para justificar a atribuição deste ajuste directo, um recurso que é também prática corrente aquando das visitas de governantes às comunidades, cuja organização é igualmente concedida a outrém, por ajustes directos com o argumento da inexistência de meios próprios para organizar essas deslocações.

Recorde-se que a Madeira tem uma forte representação madeirense em vários países, sendo as mais representativas as da Venezuela, África do Sul, além do Reino Unido, mas com madeirenses espalhados por muitos outros países.

Neste Governo liderado por Miguel Albuquerque, passou a haver uma direcção regional das Comunidades, atribuída a Rui Abreu. Está sempre a pingar… para um certo lado. Recordamos a canção das amas: “Sebastião come tudo tudo tudo, Sebastião come tudo sem colher…” Renderam um por um. Calaram cada um… Ah sim…

Eles querem mais
Eles querem mais
Eles querem mais…