A Primavera Avionista

Voam as borboletas orgânicas e as de metal também despertam com a Primavera. Com pouco entusiasmo, as airlines vão destapando os motores, removendo as lonas laranja e até recebendo algumas aeronaves novas.

Até uma companhia espanhola anunciou basear um A330 em Lisboa para voos de lazer transatlânticos com destino Caraíbas, ao qual se somará um A350. Arrojado sem dúvida este empreendimento da World2Fly por comparação à mais estabelecida Orbest, que teve um A330-900 novinho em folha o Verão todo estacionado na desativada pista 17/35 de Lisboa, sem fazer um único voo comercial, optando depois por colocar a aeronave em storage.

A farsa da Norwegian não tem fim. Até o Telexfree teve limite. O fundador do buraco Norwegian, Bjørn Kjo, anunciou o lançamento da Norse Atlantic Airways que irá usar os Dreamliners da antiga Norwegian Long Haul para voos low cost entre a Europa e a América do Norte. Já começaram a contratar tripulações através da empresa de recursos humanos OSM Aviation fundada pelo CEO da Norse. Além destes voos transatlânticos nunca terem redundando senão num desastre financeiro, mesmo no tempo das vacas gordas, e atendendo a quem nem uma única concorrente faliu, bater na mesma tecla só soa a loucura. A aventura prévia começou com a “chico-espertice” de ter uma companhia da Noruega (que não faz parte da União Europeia) a voar de Londres (na altura parte da UE) com aviões registados na Irlanda tripulados por tailandeses recrutados pela OSM, com salários ínfimos. Muito semelhante às tripulações asiáticas na marinha mercante. Protestos generalizados impediram esta embrulhada na altura, e gorou-se o low budget.

A metamorfose da frota da TAP Air Portugal vai-se revelando. Através da PGA eram operados treze Embraer E-Jets ex-Azul que passaram a ser uma dúzia no ano passado. O E-190 CS-TPW debitado esteve o tempo todo pintado de branco estacionado em Lisboa e Porto, até ter sido reativado no mês passado. A esta dúzia juntar-se-ão mais oito. São aeronaves para 100/110 passageiros, mais económicas que um Airbus A320 em lotações menores, mas levam ainda menos 30 passageiros que os obsolescentes A319.  É um ajuste de capacidade indicativo das expetativas do mercado no médio curso.