Albuquerque admite testes individuais à venda mas “controlados”

Foto arquivo

O presidente do Governo Regional, Miguel Albuquerque, declarou hoje que a vacinação com a AstraZeneca continuará na Região, onde está a ser administrada, entre outros, aos professores da RAM. Isto apesar das sucessivas dúvidas que têm vindo a ser colocadas sobre a segurança da vacina, com posições titubeantes dos governos e mesmo das entidades mundiais responsáveis pela saúde. Embora estas últimas garantam que os benefícios da vacina superam em muito os seus riscos, a Agência Europeia do Medicamento confirmou esta quarta-feira a existência de uma “possível ligação” entre a vacina da AstraZeneca e casos “muito raros de coágulos de sangue incomuns com plaquetas sanguíneas baixas”. Segundo a própria EMA, Segundo a EMA, registaram-se 62 casos de trombose do seio venoso cerebral e 24 casos de trombose venosa esplâncnica até 22 de Março, bem como 18 mortes, num universo de cerca de 25 milhões de vacinados na UE, Espaço Económico Europeu e Reino Unido.

Miguel Albuquerque disse que até ao dia 9 estará concluída a vacinação dos professores e dos auxiliares educativos. O governante falava aquando da visita hoje efectuada às obras de requalificação do Convento de Santa Clara, na Calçada de Santa Clara, Funchal.

“Está tudo a correr bem. Essa questão foi suscitada, mas é sempre suscitada com os efeitos secundários das vacinas, como há com a vacina para a gripe ou outra qualquer. Neste momento não há nenhuma recomendação da OMS ou da Agência Europeia para essa vacina não continuar a ser administrada”, salientou. Até ao dia 16 de Abril, acrescentou, os alunos deverão também ser todos testados, declarou. Bem depois, observe-se, do início das aulas presenciais, que principiam amanhã.

Alguns professores e auxiliares não quiseram ser vacinados com a AstraZeneca, mas Albuquerque salientou que essa é uma questão de liberdade individual: o GR não pode obrigar ninguém. “Mas é um grupo muito pequeno, pelo que não vai pôr em causa a reabertura das aulas”.

Sobre os cães farejadores que deverão detectar pessoas infectadas com Covid-19 no Aeroporto, declarou que esse projecto decorre de pessoas ligadas à ARDITI –  Agência Regional para o Desenvolvimento da Investigação, Tecnologia e Inovação, que tem bases científicas e que será testado, sendo que, se funcionar, poderá ser uma mais-valia na Região e no país. “Vamos testar na prática o grau de eficácia. Se resultar aqui na Madeira, será uma boa solução”.

Por outro lado, e comentando os testes de Covid-19 individuais para venda nas farmácias e lojas de medicamentos dos supermercados, o governante considerou que tal venda tem de ser controlada. “Senão, o que acontecerá? Fraudes, vender gato por lebre…” Daí que tudo tenha de ser controlado pela Direcção Regional de Saúde. “Eu não vou permitir que se utilize a desgraça para se fazer negócio (…) Será tudo orientado e supervisionado por entidades competentes”. Para isso, será realizada em breve uma reunião das entidades competentes na RAM, anunciou.

Relativamente ao Convento de Santa Clara, no Funchal, considerou-o um dos principais monumentos nacionais, sendo que a obra de requalificação que ali está a ser desenvolvida “era esperada há mais de setenta anos”. O investimento na recuperação é muito elevado, cerca de dois milhões de euros. Inclui a reestruturação do Convento, a reposição de partes do Convento que estavam fechadas, como as capelas, e a recuperação total do espólio, que Albuquerque classificou como “riquíssimo”. A obra deverá estar concluída em 2022.