“Shot Tower” em Melbourne: uma comparação com a torre da “Insular” no Funchal

Rui Marote
Faz 25 anos em Junho que visitámos a “Shot Tower” de Melbourne, Austrália. Dizemo-lo para estabelecer uma comparação com a reconstrução do edifício Savoy Residence Insular e a chaminé que alguns dizem não ter valor histórico. Tivems então oportunidade registar no celulóide, em filme de 36 fotografias (nessa altura nem se falava de digital) as imagens dessa Torre que hoje vão ilustrar este pequeno apontamento.
A Torre de Tiro Coop fica localizada no coração de Melbourne, Austrália. Foi concluída em 1889. Com 50 metros de altura, este edifício de valor histórico foi salvo da demolição em 1973, e incorporado no complexo Melbourne Central em 1991, sob um telhado de vidro de 84 metros de altura.
A “Shot Tower” da Coop tem 9 andares e 327 degraus até o topo.
A torre, como o seu nome indica, produziu seis toneladas de balas por semana até 1961, quando a demanda pelo tiro de chumbo diminuiu, devido aos regulamentos sobre armas de fogo. Uma “torre de tiro” serve para produzir chumbo de caçadeira, aquecendo o chumbo até à ebulição e deixando-o cair através de uma peneira, de uma altura elevada, formando, ao cair, esferas que depois são recolhidas na base.
A Torre era operada pela família Coop, que também administrava a Clifton Hill Shot Tower. Um museu chamado Shot Tower Museum foi montado dentro da Torre. O local está listado no Registo do Património Vitoriano.
Para quê esta abordagem? Para defender o ponto de vista de que a história da velha “Insular de Moinhos” não se apaga com uma simples borracha.
O empresário faz questão de manter vivas naquele espaço, dentro das suas possibilidades, as memórias daquela época.
Assim como a “Shot Tower” está coberta por um telhado de vidro cônico de 84 metros de altura que não existia, a nova chaminé da Insular será um ícone deste empreendimento. Repare-se que o Laboratório Regional de Engenharia Civil não considerou seguro manter a torre original, sendo apenas possível manter uma réplica. Mas manter essa memória visual, da nossa perspectiva, é melhor que nada. O Funchal Noticias acompanhará durante ano e meio as diversas fases da obra, dando a conhecer aos leitores o seu andamento.