O mar, o nosso maior estádio…

Rui Marote
Uma ilha define-se por ser rodeada de mar. Nós, ilhéus fomos bafejados por essa dádiva que Deus nos concedeu. Já se convencionou dizer que o mar é o nosso maior estádio… Mas é mesmo verdade. Muitas vezes, no curso das minhas viagens, ouvi o comentário: “Sais de uma ilha para te meteres noutra”. É próprio do ilhéu, tem a ver com uma relação muito próxima com o mar, o desejo de o ver e de nos relacionarmos com ele.
O mar é mesmo nosso maior estádio, por vezes subaproveitado, e exemplifico: estive em Guadalupe duas ou três vezes. Numa das visitas, estive na segunda maior ilha, Basse Terre. Ao chegar, um pequeno cais de desembarque chamou-me a atenção. Uma piscina improvisada no mar, com as pistas assinaladas e umas plataformas laterais de viragens, com nadadores de um lado para outro. Sendo um apaixonado de um desporto que frequentei durante largos anos, a natação, dei uma espreitadela. E não resisti em questionar o treinador:- Não têm piscina? Não, respondeu-me ele. “Treinamos no mar e no próximo ano vamos a  França competir para uma eliminatória de acesso aos Jogos Olímpicos”…
Estava esclarecido…
Quando o FN levantou o problema dos fingers, as “plataformas flutuantes” na rampa de São Lázaro, vozes incomodadas se levantaram. Acompanhámos e aplaudimos as novas estruturas e demos por encerrado.
Não resistimos em constatar que, num abrir e fechar de olhos, a rampa estava já repleta de jovens com as suas pranchas. As novas plataformas davam apoio a colocar embarcações de vela e pranchas de windsurf ou stand-up paddle na água. Embora as condições atmosféricas não fossem as ideais, os jovens disseram “presente”.
Não venham, por favor, com proibições de prática desportiva no mar por causa da Covid 19: os grandes inimigos do vírus são mesmo os raios ultravioletas e a água salgada não pode fazer mal.