Estepilha: a “bazuca” era a cerveja de 550ml…

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Rui Marote

Ultimamente já nos doem os ouvidos de ouvir falar tanto na “bazuca europeia”. É “bazuca” para cá e para lá. Ora, bazuca é uma arma que dispara granadas anticarro e que foi muito usada na guerra de África. Mas também tem outros significados.
O primeiro-ministro António Costa insistiu na adopção desta “bazuca” financeira – como ficou conhecida depois de, em plenas negociações, para que a UE se dotasse desta arma e não de uma “fisga”. E a expressão ganha ainda mais significado dado o Fundo de Recuperação ser financiado com dívida comum contraída pela Comissão Europeia nos mercados em nome dos 27, e mais de metade da verba (390 mil milhões) ser destinada aos Estados-membros a fundo perdido.
Mas a expressão “bazuca” traz memórias africanas ao Estepilha.
Em 1965, na então Lourenço Marques, meses antes de integrar o serviço militar,conheci esse termo “bazuca”numa cervejaria para pedir uma cerveja “laurentina” ou “2 M” de 550ml.
Já agora recordo outros nomes: uma Catemba (vinho tinto barato com Coca Cola que hoje em países de leste europeu se chama “Bambu”, e em Espanha ganha nome de “Calimocho”, sendo no Brasil “Pé Sujo” e no Chile “Jote”).
Outros nomes recordo ainda: “Trique Fait”, Seven Up com vinho verde ou “Penalty”, com vinho branco, bebidas refrescantes então consumidas em zonas tropicais.
Passados 45 anos o termo “Bazuca”volta à carga não como arma destruidora mas sim como arma financeira. Ouvimos falar dela vinte vezes por dia.
O povo português que é muito imaginativo já deve ter planos para desviar essas verbas. Em Moçambique, quando há muita corrupção, o termo usado é “muito cabritismo”. E muito se fala já sobre como essas verbas vão ser aplicadas…
Bassope (cuidado) com os ladrões…há maningue (muitos).

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