Estepilha: em Portugal a “task force” das vacinas, e não a “força-tarefa”

Rui Marote
Recentemente foi notícia em Portugal a substituição do responsável pela “Task Force” da vacinação nacional. Ora, somos peritos em usar palavras de outras línguas, em especial a inglesa, em substituição da língua de Camões. São os chamados estrangeirismos. Sou por natureza um regionalista e defensor do vocabulário de uma região. É o caso da palavra madeirense “Estepilha” que encabeça esta secção virada para o humor e a crítica.
Como sempre, tenho uma história a respeito: em meados dos anos 80 visitei a Namíbia, a convite do Ministro da Defesa general Malan. Era território então sob o domínio da África do Sul, com aquartelamentos em zonas de conflito. Já em território namibiniano, e transportado num carro de combate desde o aeroporto com pista de terra batida para as instalações de um quartel para assistir a um “briefing”, tive uma curiosa intervenção. A maioria das tropas era constituída por negros. Tentei saber na língua daquela zona a palavra substituta de “briefing” junto de um habitante do aldeamento. A palavra era “banja” que significava reunião. E perguntei: porque não se realiza então uma “banja”? E a reunião decorreu sob a égide dessa designação…
As palavras portuguesas derivam, na sua maioria do latim vulgar, que era a língua falada nos últimos séculos do Império Romano. O contacto com outros povos, as evoluções tecnológicas e as constantes descobertas do homem levam-no a recorrer a acertos e termos estrangeiros, que não receberam uma tradução correspondente na língua nacional. Não coloca em risco a soberania da língua portuguesa, são empréstimos linguísticos. Mas acaba por ser um vício de linguagem, a utilização de palavras estrangeiras. Exemplos: vamos tomar um drink (bebida), vamos ao shopping (centro comercial), vamos ao coffee break (pausa para o café)… Tudo isto é “chique”…
Recordo que numa terminada época era costume certas famílias registarem os filhos com nome estrangeiro. Embora se pudesse negar o registo.
No império colonial português, por exemplo em Moçambique, os nomes portugueses dados aos indígenas eram por vezes uma verdadeira chacota. No registo colocavam nomes de utensílios (ex : João Sabão, Francisco Sabonete)… Ao ler uma notícia de acidentes (Casos do Dia) lembro-me de um choque entre uma bicicleta e um peão. O título da notícia era “Sabão atropela Sabonete”… Havia quem tivesse no sobrenome comboio, bicicleta, parafuso e outros mais…