Três doentes vindos do continente já estão no Hospital Dr. Nélio Mendonça

O avião que transportou os três doentes críticos para o aeroporto da Madeira.

Fotos Rui Marote

Já estão no Hospital Dr. Nélio Mendonça os três doentes recém-chegados do continente que foram enviados para a RAM em virtude de o Governo Regional ter disponibilizado, no SESARAM, três vagas para os acolher. Provenientes de hospitais do Serviço Nacional de Saúde que, como é sabido, debatem-se com sérias dificuldades, espera-se que possam encontrar no acolhimento que lhes foi reservado pelo Serviço Regional de Saúde as condições necessárias ao seu pleno restabelecimento.

Conforme o FN à tarde noticiou, dois doentes internados em Cuidados Intensivos vieram do Hospital Beatriz Ângelo, e um outro, nas mesmas condições, veio do Centro Hospitalar Lisboa Ocidental.

Chegaram à RAM cerca das 20h15 num avião da Força Aérea Portuguesa, um Hércules C-130, que, não se sabe exactamente porquê, permaneceu estacionado durante uma boa meia hora na placa do Aeroporto da Madeira, enquanto as ambulâncias o aguardavam. A Equipa Médica de Intervenção Rápida (EMIR) esteve no local. Toda esta operação de transporte resultou de uma colaboração entre os Serviços de Medicina Intensiva envolvidos e a Comissão de Acompanhamento da Rede Nacional de Medicina Intensiva (CARNMI) o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), a Força Aérea Portuguesa (FAP) e o Serviço de Saúde da Região Autónoma da Madeira (SESARAM).

Algo que suscita alguma perplexidade, ou pelo menos alguma justa curiosidade, é o facto de terem sido acolhidos apenas três doentes. Temos a certeza de que para eles e para as suas famílias poderá fazer toda a diferença. Mesmo assim, e conforme foi dito, assume-se a possibilidade de que venham a chegar mais doentes, mas provavelmente em número restrito. Ora, sendo assim, e tendo, conforme declarações da FAP prestadas às televisões, o C-130 e a equipa capaz de realizar evacuações aeromédicas, capacidade para transportar seis doentes prestando-lhes todos os cuidados necessários, porque não vieram mais, sabendo-se que os hospitais do continente estão a “rebentar pelas costuras” e que na RAM, segundo é dito, existem ainda muitas camas disponíveis para doentes Covid-19?

Outra questão que se levanta é se não é mais custoso montar toda uma operação de transporte aéreo destas para apenas três doentes, do que procurar prestar-lhes os cuidados que necessitam no âmbito de um qualquer acordo com a medicina privada, no continente, partindo do princípio de que na medicina privada existe capacidade técnica e pessoal para prestar cuidados intensivos.

De qualquer modo, o presidente do Governo Regional, Miguel Albuquerque, enfatizou a solidariedade que se deve à nação num momento difícil como este, e o próprio primeiro-ministro, António Costa, mostrou-se publicamente grato pela mesma. Que os doentes  recém-chegados, como todos os outros, melhorem será certamente o desejo de todos.

Os pacientes em questão foram conduzidos em ambulâncias escoltadas pela Polícia e acompanhadas pela EMIR, até ao Hospital, onde eram esperados.