Estepilha, hoje “anda a roda” dos milhões na RAM…

Rui Marote

Estepilha, a “Roda dos Milhões” na Região Autónoma da Madeira é todas as quintas-feiras ao final da tarde. Hoje vamos recordar as barraquinhas das rifas no ex-Campo do Almirante Reis, nas épocas natalícias dos finais da década de Cinquenta…
Na altura, eu um jovem e passava largo tempo a contemplar a barraquinha do porquinho da Índia! Escutava o feirante: –  “Sai sempre! O prémio é a escolha do contemplado! Palpite  e marque!” Era uma barraca circular que tinha no centro uma campânula que escondia um porquinho da Índia, que iria correr para uma série de buraquinhos numerados  no círculo da mesa. Os prémios eram panelas de alumínio. Uma vez vendido um determinado número de rifas a escudo, procedia -se à libertação da cobaia, que corria em direcção a um dos buracos numerados, nele se refugiando. Esse número era correspondente ao talão do apostador e vencedor dessa série.
Hoje essas barracas de apostas são electrónicas e os prémios são outros.
Mas isto vem a propósito da quadra natalícia, que este ano não tem parque de diversões, nem algodão doce ou pipocas. O que está na moda, mesmo é a “Roda dos Milhões”, todas as quintas-feiras na Quinta Vigia, com resultados anunciados após a conclusão da reunião de governo .O “feirante“ geralmente muda todas as semanas, para anunciar os contemplados que são beneficiados. Ora, a distribuição de milhões é tanta que nos impele a meditações bíblicas: não podemos distribuir o que não temos em época de vacas magras. Alguém devia lembrar-se da história de José do Egipto: tanta abundância geralmente é sucedida por sete anos de seca e fome… Mas continuamos a viver em abundância, adjudicando obras de estádios desportivos, de asfaltagem milionária de estradas até às montanhas… Isto entre milhentas outras desproporcionais benesses. Acontece que persistimos em viver em abundância, quando « os nossos celeiros estão vazios… Estepilha, quem nos acode? Nem o porquinho da Índia…