PSD explica razão de voto contra empréstimo na CMF e denuncia “aproveitamento político”

“Ainda que sejamos totalmente a favor de todas as medidas e de todos os recursos que possam ser aplicados, pelo Executivo Municipal, no apoio às famílias e empresas do concelho – conforme, aliás, temos vindo a defender, quer nesta Assembleia Municipal quer através da nossa vereação eleita, num total de mais de 20 medidas apresentadas de apoio ao COVID, todas elas chumbadas – a verdade é que não podemos compactuar com um empréstimo que, tanto do ponto de vista da transparência, da coerência e das necessidades a que supostamente se destina, não se justifica, vem fora de tempo e surge de forma pouco rigorosa”, afirmou, esta tarde, o deputado municipal Alexandre Silva, reiterando que o que falta à autarquia não é orçamento nem verbas para investir no apoio às famílias e empresas afetadas pela pandemia, mas sim vontade política e discernimento quanto às reais prioridades.

Há várias razões que justificam o voto contra do grupo municipal do PSD na CMF, refere uma nota de imprensa. Desde logo, a questão financeira e o facto da Câmara “não precisar deste financiamento para apoiar as famílias e as empresas com as quais, agora, se diz preocupada, depois de lhes ter virado as costas ao longo dos últimos 9 meses”, referiu.

A este propósito, recordou que foi este Executivo que, em vez de apoiar os lojistas do Mercado via isenção de rendas, preferiu gastar o dinheiro em fogo de artifício, assim como foi este Executivo que recusou criar um Fundo de Apoio aos Comerciantes mas, por sua vez, quer investir numa Polícia Municipal cujos custos, só no primeiro ano, ascendem a mais de 2 milhões de euros, criticou.

Reiterando que as últimas Contas disponíveis mostram que este Executivo encerrou o ano passado com 16 milhões de euros disponíveis e que tem, ao contrário do que afirma, um Orçamento disponível de 118 milhões de euros para gastar este ano, o deputado municipal reafirma, assim, que há dinheiro para investir no apoio aos munícipes – portanto, este empréstimo, não se justifica nessa medida – e vai mais longe ao sublinhar que é difícil entender como é que só agora, em Novembro e depois das graves carências que ignorou nestes 9 meses, o presidente do Executivo se lembrou se contratar um empréstimo que só terá efeitos práticos no próximo ano, ou seja, em ano de eleições. “A altura em que se contrata este empréstimo infelizmente nos parece aproveitamento e oportunismo político de uma situação que merecia maior respeito”, acusa.

Paralelamente, prossegue o deputado municipal, coloca-se a questão da transparência, com o PSD a não poder votar a favor de um empréstimo “quando o presidente da autarquia se recusa a informar e a clarificar onde e como é que a autarquia concede os apoios relativos à pandemia”. “Convém lembrar que a vereação do PSD apresentou, em reunião de Câmara, uma proposta para a criação de uma plataforma pública e transparente onde pudesse ser demonstrado, de forma rigorosa, quem é que beneficia dos apoios que a Câmara diz aplicar, plataforma essa que o Presidente recusou, como se tivesse algo a esconder”, vincou.

Por fim, explica Alexandre Silva, coloca-se a questão da coerência ou da falta dela. “Ao longo de 2020, o presidente deste Executivo chumbou inúmeras propostas do PSD para apoios COVID com o argumento de ser ilegal (ex. a isenção de rendas ao mercado), ora, não estava em causa o financiamento mas, sim, a suposta ilegalidade, havendo, aqui e mais uma vez, uma clara incoerência entre aquilo que esta Câmara apregoa e o que verdadeiramente concretiza, “sendo certo que, caso o Presidente estivesse efetivamente preocupado com a população deste concelho, não teria deixado que os seus interesses políticos e partidários tivessem falado mais alto, como falaram”, rematou.