Madeira poderá vir a comercializar gambas, diz Teófilo Cunha

A Região poderá vir a comercializar a gamba da Madeira, a partir do ano que vem. Um estudo realizado no âmbito do projecto MARISCOMAC, desenvolvido por investigadores e especialistas da Madeira, Canárias e Cabo Verde, indica a possibilidade de capturas anuais sustentáveis, na ordem das 10 a 15 toneladas, refere a Secretaria Regional do Mar e Pescas.

Esta entidade governamental, através da Direcção Regional do Mar, é coordenadora do projecto MARISCOMAC, que recebeu um co-financiamento de 465.603,65 euros da União Europeia para desenvolver condições técnicas e bases científicas para a exploração sustentável de mariscos e peixes (recursos pesqueiros) nas águas, quer costeiras quer profundas, da Madeira, Canárias e Cabo Verde e sua comercialização.

O secretário da tutela, Teófilo Cunha, frisou a importância da ciência e da investigação como suporte para a tomada de decisões políticas. “Este projecto é um bom exemplo disso”, afirmou. “Durante quase cinco anos os especialistas e cientistas estudaram os recursos marinhos destes três territórios. Agora estamos em condições de saber quais as espécies com valor comercial e quantidades que permitam utilizar esses novos recursos de forma responsável e sustentável.”

Uma delas é a gamba da Madeira, que os entendidos consideram “um produto de excelência”.  De acordo com os estudos, é na costa sul da Madeira que se concentram os maiores stocks. Os especialistas acreditam que a exploração e comercialização de forma sustentável pode atingir entre 10 a 15 tonelada/ano, num valor comercial próximo dos 100 mil euros, refere uma nota do GR.

“Estamos a falar de uma mais-valia para os pescadores, mas em complemento da atividade porque 10 a 15 toneladas anuais não permite viver exclusivamente da gamba”, explicou Teófilo Cunha, realçando o facto de o produto enriquecer a gastronomia da Madeira e contribuir para melhorar o rendimento dos pescadores.

A exploração e comercialização da gamba da Madeira carece de legislação adequada e foi isso que o secretário regional de Mar e Pescas anunciou estar já em preparação pelos serviços. O projecto MARISCOMAC termina em Junho de 2021, e até lá o governante espera ter pronta a Portaria que estabelecerá as normas legais. O estudo avaliou também os stocks de lapas e caramujo.

Para dar expressão pública a este trabalho de pesquisa e investigação, Teófilo Cunha e a diretora regional do Mar, Mafalda Freitas, além do coordenador do projecto, João Delgado, participam esta quinta e sexta-feira no Porto Santo num seminário sobre o desenvolvimento de condições técnico-científicas formação e transferência de tecnologia e conhecimento, visando fomentar a exploração e comercialização sustentável de mariscos na Macaronésia.