Passageiros do Seadream I “viram a Terra Prometida” ao longe e não desembarcaram

*Com Rui Marote
A chegada no navio Seadream I ao porto do Funchal, hoje, foi um verdadeiro anticlímax e só não terá decepcionado todos os que não se importam com o turismo da Madeira. O navio, um transatlântico, atravessou o oceano com destino â Madeira, o primeiro que o Funchal iria acolher após cerca de oito meses sem receber navios de passageiros, devido às medidas profilácticas conta a galopante pandemia da Covid-19, que continua a fazer vítimas um pouco por todo o mundo.

Foram prestadas honras de boas vindas ao navio, pelo rebocador “Ilhéu de Cima”, com repuxos de água. Todos aguardavam ansiosamente o pequeno navio de luxo, com capacidade para 100 passageiros, mas que neste caso transportava mais tripulantes que passageiros: 75 para apenas 31 viajantes. E o pior é que estes foram impedidos de desembarcar, em virtude do teste realizado para a Covid-19 ultrapassar as 72 horas de validade, embora não tenham feito escala noutro porto, navegando sem paragens. Não seria possível, pois, saber o resultado do teste PCR que lhes fizeram, à chegada à RAM.
O navio deu, pois, entrada no porto do Funchal pelas 9h05. Esperava-se que os turistas pelo menos circulassem pelo Funchal num autocarro, num grupo que teria de manter-se sempre junto e coeso, acompanhado de um guia, e visitar o Monte, pelo menos, e outros pontos de interesse. Mas nada disto foi possível. A ocasião, que seria simbólica de, pelo menos, uma certa retoma do turismo de cruzeiros na Região, ficou marcada pela tristeza, e até na presidente da APRAM, Paula Cabaço, era visível a amargura pelo facto de os viajantes ficarem limitados a olhar o Funchal de varanda, sem poder deixar o navio.

Entretanto, e numa conversa com os jornalistas na Pontinha, Paula Cabaço falou nos actuais tempos de incerteza, e deu conta de que havia 35 escalas para o corrente mês de Outubro, mas que apenas esta se realizou, e sem desembarque. Para Novembro, havia 60 escaladas marcadas, mas só cinco se mantêm ainda reservadas. São, sem dúvida, tempos difíceis. Já para Dezembro, das 13 escaladas previstas, apenas 3 ou 4 se mantêm ainda. No entanto, enalteceu o facto de haver muito interesse na retoma, pois múltiplas escalas foram agendadas de novo para 2021 ou 2022.

Entretanto, os passageiros do “Seadream I” ficaram como Moisés: a ver a Terra Prometida ao longe, mas sem chegarem a pisá-la. Os passageiros ficaram “reféns da ciência”, a bem da segurança mas com o nosso porto “às moscas”. Conforme já havia referido o FN, uma clínica privada, a pedido do operador, voltou a testar os passageiros à saída, para que estes possam levar um teste do último porto.
Na Madeira, entretanto, ficaram apenas 3 passageiros, que tinham mesmo o Funchal como destino e que seguirão de avião para outras paragens. Com certeza terão sido submetidos a um teste de chegada, ficando no hotel a aguardar os resultados.
Paula Cabaço: a presidente da APRAM estava nitidamente amargurada
Muito se falou deste “pontapé de saída” do turismo de cruzeiros na RAM, que voltaria a propagandear o destino Madeira no mercados internacionais e significaria a abertura do nosso porto, depois de um “período de nojo” com impactos fortes na economia. Mas o resultado, como já dissemos, foi um anti-clímax. Desolador.
Entretanto o navio adiantou a hora da sua partida para as 15h30.
O “Seadream I” é um navio construído na Finlândia em 1984, com um comprimento de 108 metros com 6 decks, 56 cabines para 112 passageiros e uma tripulação que ronda as 95 pessoas. Atinge 15 nós.