PCP denuncia insuficiências inaceitáveis do Serviço Regional de Saúde

O PCP esteve ontem junto ao Centro de Saúde do Bom Jesus, no Funchal, para afirmar que não é aceitável que a pretexto da pandemia sejam diminuídas valências no Serviço Regional de Saúde, como está a acontecer nos cuidados de saúde primários, nas consultas de especialidade, nos meios de diagnósticos e nas cirurgias, empurrando os madeirenses para o sector privado da saúde.

Os problemas de saúde dos madeirenses e porto-santenses que existiam antes da pandemia COVID-19 continuam a existir, em muitos casos estão mais agravados, dizem os comunistas.

Para estes, não é aceitável que existam utentes do SESARAM, desde o início da pandemia, que continuam “a esperar e desesperar para marcar uma consulta com o seu médico de família ou uma consulta de especialidade”.

Igualmente inaceitável é que de forma responsável os utentes utilizem as linhas telefónica publicitadas pelo SESARAM para marcar consultas, análises, e exames de diagnósticos, e passem horas agarrados aos telemóveis ou telefone, sem ninguém atender do outro lado da linha.

Um utente que tem a sorte de ter uma consulta marcada, por outro lado, pode vir a ser contactado algumas horas antes pelos serviços do SESARAM a desmarcar a consulta.

Para o PCP, não é tolerável que sejam requisitados exames de diagnóstico para que um paciente apresente os resultados na consulta que está agendada para dia 15 de Novembro, mas só existe no serviço público marcação para fazer os exames de diagnóstico no dia 25 de Novembro; não é aceitável que exista um critério cego nas urgências do Hospital Nélio Mendonça, que não permite que os pacientes tenham direito a acompanhante, independentemente de ser uma pessoa idosa, sem autonomia ou alguém com demência; e não é concebível que milhares de madeirenses, que deveriam de ter acesso ao Serviço Regional de Saúde sejam empurrados para o sector privado da saúde garantindo lucros a quem faz da doença um negócio, acusa o partido.

“Se ficou provado que o Serviço Regional de Saúde teve um papel insubstituível na resposta ao surto epidémico provocado pelo COVID-19, também é evidente que a política de redução e suspensão de importantes valências do Serviço Regional de Saúde, pode comprometer a qualidade de vida de milhares de madeirenses e portossantenses e a realização dos diagnósticos e dos actos médicos atempados para salvar vidas”, denunciam os comunistas.

 “São necessárias políticas claras de reforço do Serviço Regional de Saúde , no seu financiamento, na contratação de mais trabalhadores na área da saúde e na integração dos trabalhadores com vínculo precários numa carreira com vínculo público, no aumento e modernização de equipamentos e no aumento do número de camas de agudos, de cuidados intensivos, de cuidados continuados e hospitalares, na criação de serviços de medicina de trabalho em todas as unidades de saúde, no reforço da capacidade de meios de diagnóstico e terapêutica, no alargamento das resposta de saúde mental e no reforço das equipas de saúde pública, como o PCP tem vindo a defender”, refere o comunicado.