Resposta ao Professor Carlos Valente na sequência do  assunto Pintor Arnaldo Louro de Almeida

Não pretendo defender nenhuma tese, nem usar «parcamente», de ânimo leve, o que não é uma crítica, no sentido analítico do termo, mas apenas, como referi no meu texto publicado no dia 5 de Outubro no Forum do Funchal Notícias, a necessidade de repor uma verdade. Não acho sequer necessário alimentar qualquer polémica sobre este assunto. Nem contesto o direito de defesa do professor Carlos valente, tão significativo como o meu, quando afirmo que há que ter cautela com as «interpretações», que eu considero «ficções» por uma questão, aqui, sim, de usar  um conceito literário.

Volto a afirmar que o pintor Arnaldo Louro de Almeida foi um professor para além do seu tempo, sem estar em causa qualquer análise técnico-conceptual do seu trabalho. Conheço a ideologia humanista que presidia às suas inegáveis características de «Homo Universalis» e algumas das afirmações constantes na tese do Professor Carlos Valente contrariam nitidamente esse seu perfil de polímato. Elas são explícitas por si só, não sendo necessário evocar qualquer contexto.  Dispenso-me de referir aqui aquela que já citei no meu artigo e outras que me abstive de referir.

Relativamente ao contraditório entre ficção e verdade, a que chamo «rigor» por oposição à ligeireza com que certos documentos são tratados em algumas teses sobre a obra dos criativos, não estou necessariamente a afirmar que  seja este o caso da tese em questão.

Mas há quem evidencie uma clara preocupação com ornamentos de linguagem na elaboração de alguns trabalhos de investigação, ao «interpretar» temerariamente os documentos que os arquivos lhes facultam. Porque é sempre temerário esse processo de «interpretação».

Haja embora essa liberdade por parte dos investigadores, nesta contingência relativa ao pintor Arnaldo Louro de Almeida, o que foi afirmado sobre a sua personalidade, induz num equívoco  os leitores e consultores dum trabalho que irá fazer parte  da História das Artes Plásticas na Madeira em meados do séc.XX. Uma época que pode ser afirmada por testemunhos presenciais de pessoas que ainda estão vivas e depositárias da verdade.

Sem polémicas, caro Professor Carlos Valente, repito, apenas pela verdade.