Ensino Superior: uma etapa ao alcançe de todos

O mês de Agosto marca oficialmente a contagem decrescente para a entrada no Ensino Superior por parte de milhares de jovens que lutaram afincadamente durante três longos anos lectivos por um lugar ao Sol. Lugar este que espelha todo o mérito e dedicação daqueles que fizeram do impossível o possível para que em Setembro possam ingressar no curso que melhor se adequa às suas próprias ambicções.

Este ano, marca por si só pela diferença, pois o ano lectivo transacto foi marcado por uma pandemia, que teve inevitalvemente repercusões na vida destes milhares de jovens. Apesar das fortes restrições vividas ao longo deste ano, milhares de jovens não desistiram dos seus sonhos e continuaram o seu caminho recorrendo a mecanismos digitais que se tornaram essenciais para o término do seu ensino secundário. Este ano assinala também os 10 anos do meu ingresso no ensino superior.

Ao longo destes 10 anos, muita coisa mudou, o ensino foi-se adaptando a par e passo com os novos tempos, novas áreas de interesse foram surguindo, o foco sobre as áreas de tecnologia foi ganhando força e dimensão, as Universidades foram adaptando a sua oferta lectiva às necessidades do país e do mercado, novas formas de abordagem e interração com os alunos foram surgindo e a era digital entrou em força nas mais prestigiadas Universidades do nosso País.

Ao longo deste tempo, em termos médios, tem se assistido a um reforço do investimento público em Portugal, mais concretamente no Ensino Superior. As verbas dos fundos comunitários tem tido um crescimento substancial na dotação orçamental do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior fazendo assim com que o reforço em infraestruturas tenha efeitos positivos na qualidade do Ensino em Portugal. A Fundação para a Ciência e Tecnologia tem vindo ano após ano a apoiar uma quantidade de projectos, dando espaço aos investigadores para prosseguirem os seus projectos, colocando Portugal no mapa no que diz respeito à Inovação, Investigação e Desenvolvimento.

Apesar destes indicadores optimistas, existe sempre o reverso da medalha, muitos destes jovens que iram ingressar no Ensino Superior terão de enfrentrar dificuldades acrescidas devido a problemas sistémicos aos quais a pandemia do Covid-19 veio dar eco. Portugal enfrenta neste momento uma estagnação económica, sobretudo em sectores vitais tais como comércio, serviços e indústria. O turismo estrangeiro em Portugal tem tido fortes quedas, na ordem dos dois dígitos, o que a médio longo prazo provocará a insolvência de muitas pequenas e médias empresas.

Dada esta situação delicada verificada por muitas famílias portuguesas, é preciso assegurar que todos os jovens possam ter acesso ao Ensino Superior, reforçando assim os apoios sociais. É imperativo reforçar a rede de residências universitárias; criar um cheque de alojamento para os casos onde as residências universitárias já não disponham de disponibilidade, ser o estado a assumir a diferença na renda dos quartos; desburocratizar o pedido de acesso a bolsa do ensino superior; criar mais escalões de bolsa de forma a adequar as verbas às reais necessidades dos mais carenciados e ser o próprio estado a assegurar o pagamento integral das proprinas dos alunos bolseiros sem afectar o montante da bolsa.

A meu ver, este ano tem de ser tratado como um ano expecional e como tal, devem ser adoptadas medidas de reforço das garantias sociais para podermos minizar os efeitos já provocados por toda esta pandemia, salvaguardando assim, o futuro das novas gerações e contribuir para a contínua valorização o capital humano português.

*o autor escreve segundo a antiga ortografia da língua oficial portuguesa*