
Um grupo de armadores e pescadores enviou um comunicado à nossa Redacção, manifestando o seu descontentamento relativamente às notícias que surgiram no que diz respeito ao aumento do número de unidades de aquacultura nas águas da Madeira.
“Este aumento de capacidade de produção de peixe em aquacultura vem pôr ainda mais em causa a subsistência da pesca tradicional da Região, uma vez que já se encontra num estado deplorável e abandonado pelas autoridades oficiais e os incentivos são poucos ou nenhuns”, queixam-se.
“A verdade, é que o aumento da produção da aquacultura não nos surpreende. Pois em comunicados anteriores já tinham alertado para os benefícios que esta indústria estava a ter na Região. Ora vejamos, quando toda a frota pesqueira da ilha foi recomendada parar pela Secretaria do Mar e Pescas, em tempo de pandemia, a actividade da aquacultura prosseguiu sem nenhuma recomendação ou ordem de paragem. Aqui denota-se a diferença de tratamento. Esta indústria teve uma publicidade institucional por parte da Secretaria e do Governo como nunca a indústria da pesca tradicional tivera”, referem os armadores e pescadores em questão.
Para os mesmos, na Secretaria do Mar e Pescas os projectos delineados não contemplam a pesca tradicional, apenas privilegiam a aquacultura. “A pesca tradicional foi passada para segundo plano”, afirmam, denunciando falta de condições crónicas nos portos de pesca, onde o material é obsoleto e está constantemente fora de serviço; falta de recursos humanos já muito prometida, que tanto já se falou e até agora tudo permanece igual (…) situação que “envergonha todos os Madeirenses pela forma como estas pessoas estão a ser tratadas”; falta de apoio na promoção do produto regional; falta de um plano para o futuro para alavancar o sector das pescas de forma a que o mesmo cresça a longo prazo; necessidade de medidas para impulsionar a indústria, como apoios no combustível e outras condições para “não assistirmos à ida de embarcações para os Açores, onde os apoios são maiores”.
“Estas são as principais lacunas da indústria da pesca tradicional, que em comparação com a aquacultura que está a ter total apoio. Esta produção de peixe de aquacultura está a matar a indústria tradicional com a prática de preços altamente competitivos aliados a grandes grupos económicos. Por outro lado, a prática da aquacultura está a destruir a fauna e a flora marinha, a poluir todo o mar com o alimento das produções de aquacultura”, queixam-se.
Se a Secretaria Regional do Mar e Pescas, e o Governo Regional não mudar a sua planificação para o sector das pescas o mesmo corre o sério risco de desaparecer levando consigo a precariedade e a perda de rendimentos de muitas famílias.
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