O secretário regional da Saúde e Protecção Civil, Pedro Ramos, avisou hoje que “o turismo vai chegar, e com ele, novos casos” de Covid-19, pela certa. O governante falava hoje na habitual conferência do Instituto de Administração da Saúde, às sextas-feiras, com a vice-presidente do mesmo, Bruna Gouveia. Nas ocasião, Pedro Ramos salientou que a RAM vai começar a abrir as portas ao turismo a partir de Julho porque a RAM precisa do mesmo, a economia muito depende deste sector e não pode parar indefinidamente. No entanto, salientou que tal abertura se está a fazer cumprindo com todas as recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS) e do Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças. O que se pretendia era que todos os que chegassem à Madeira trouxessem já testes feitos na origem; não sendo tal possível, o Governo Regional aposta na realização de testes à chegada e no seguimento e monitorização dos turistas.
“Se detectarmos novos casos”, disse o Secretário, tal não implica que “tenhamos de voltar atrás” na estratégia implementada, mas sim que se deverão controlar esses novos casos e as suas redes de transmissão. “Inconstitucional é o facto de não nos deixarem proteger os nossos cidadãos”, repetiu, aludindo à contestação, através de “habeas corpus”, da quarentena obrigatória em hotéis.
Segundo Pedro Ramos, já 1531 pessoas dera entrada em hotéis para confinamento, sendo acompanhadas desde que chegaram à Madeira. O Governo Regional pede adesão à estratégia “única e diferente” que a Madeira e o Porto Santo estão a seguir. E referiu que não têm faltado cidadãos a disponibilizar-se a fazer a quarentena em hotéis, até por considerarem que nas unidades hoteleiras têm condições para proteger melhor as suas próprias famílias, do que teriam indo para os seus domicílios. Neste momento, nos hotéis mantêm-se apenas 31 pessoas: 3 no Cabo Girão, e 28 no Vila Galé.
Admitindo que possa haver quem esteja a “desconfinar erradamente” e “deixar preocupados outros cidadãos”, Pedro Ramos considerou que o maior perigo “não são os turistas”, mas os madeirenses que não cumprirem com as recomendações que há muito vêm sendo feitas. Todavia, e questionado sobre a enchente no Lobo Marinho e no Porto Santo nestes últimos dias de fim-de-semana prolongado, o governante considerou-o “um descanso merecido” e realçou que tanto a Madeira como o Porto Santo são “ilhas verdes”, livres de Covid-19 (na Madeira persistem apenas 2 casos). O que não é razão, sublinhou, para se ignorarem as medidas necessárias, como a lavagem das mãos, a etiqueta respiratória, o distanciamento social, etc.
Instado pelos jornalistas a comentar o caso Rafael Macedo, que teve hoje o seu desfecho oficial com o anúncio do despedimento por justa causa do médico do Serviço de Medicina Nuclear do SESARAM, Pedro Ramos considerou-o um dos mais tristes episódios alguma vez vividos no SESARAM, consubstanciado num clínico que se comportou “de forma diferente” dos médicos e dos enfermeiros que orgulham o Serviço e que por isso não havia outra saída que não esta que foi adoptada pelos serviços jurídicos.
Recorde-se que Rafael Macedo proferiu graves acusações de ineficiência da Medicina Nuclear do SESARAM, apontando inclusive para o favorecimento do sector privado.
Pedro Ramos disse a respeito que já tinha informado o bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Magalhães, desta decisão, e bem assim o responsável pela secção regional da Ordem dos Médicos, Carlos Martins.
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