A presidente do grupo parlamentar do PS, na Assembleia da República, já tinha dado voz ao silêncio oficial do Governo da República relativamente às reivindicações da Madeira em matéria de apoios nacionais à crise provocada pela Covid-19. Ana Catarina Mendes, numa iniciativa do PS-M, disse que as Regiões Autónomas iriam receber apoios, mas não através da pretendida alteração da Lei de Finanças Regionais, que limita a capacidade de endividamento. Falou numa alternativa que iria permitir, à República, apoiar a Madeira e os Açores.
A verdade é que a Madeira, através do presidente e do vice presidente do Governo Regional, tem manifestado descontentamento pela forma como Lisboa está a tratar estas reivindicações da Região, sobretudo tendo em conta que se trata de uma situação delicada de saúde pública, para a qual o Orçamento Regional não estava preparado, sendo por isso determinante a solidarieddade nacional, da mesma forma que Portugal precisa da solidariedade europeia.
O Funchal Notícias sabe que António Costa está a preparar um pacote de apoios às Regiões Autónomas, mas não na fórmula pretendida por Albuquerque, mais assente na Segurança Social, situação que já será, também, do conhecimento do Presidente da República, o que ajuda a compreender, de certo modo, as reações já conhecidas por parte da Quinta Vigia e as posições tornadas públicas pelo PSD-Madeira, quer através dos deputados na Assembleia Regional, quer através dos parlamentares na Assembleia da República.
Segundo foi possível apurar, de fontes ligadas ao processo, a Madeira procurou estabelecer “pontes”, com as mais diferentes formas e através de emissários que procuraram o consenso com a República, quer junto do primeiro-ministro, quer junto do Presidente da República, sem que no entanto tenha havido qualquer avanço, antes pelo contrário, no que se prende com medidas concretas, estando a Região numa posição muito sensível de ter dispendido verbas para acudir à crise, primeiro na saúde e depois no apoio às empresas e às famílias, na esperança de vir a receber apoio por parte do Estado. Que tarda.
Sabe-se, também, que nesta fórmula nacional de apoio, entram as duas Regiões, mas haverá uma clara intenção de beneficiar os Açores, sobretudo porque estamos a poucos meses das eleições legislativas regionais naquele Arquipélago e, por isso mesmo, Costa considera determinante deixar uma mensagem clara de que o Governo da República esteve ao lado dos açorianos em ano que o PS pretende venha a ser de reconquista da maioria.
Por outro lado, o “investimento” que a Madeira fez junto de Marcelo não resultou muito positivo, não obstante a garantia de solidariedade do Chefe de Estado manifestada em diversos momentos. Só que Marcelo está focado no País e na saúde, tem uma visão nacional e deixa para o Governo o caminho aberto para adoção de medidas consideradas convenientes no que se refere aos apoios às ilhas neste contexto de pandemia. No fundo, não quer conflitos, não quer interferir.
Além disso, é conhecida alguma distância de pensamento entre Marcelo e Miguel Albuquerque, fruto de diversos episódios que ocorreram ao longo dos tempos e que foram marcando pontos, ou retirando, na “contabilidade” de Belém relativamente à Quinta Vigia, sendo que o Chefe de Estado não deixou passar despercebida a ausência de Albuquerque na sua tomada de posse, bem como a situação ocorrida por ocasião do acidente com o autocarro no Caniço, onde a ausência de Albuquerque, embora sobejamente explicada, teve então algum peso quando Marcelo esteve na Região.
A todas as situações, não estará alheia a decisão recente de Albuquerque em assumir, através do PSD nacional e de iniciativas no âmbito da Assembleia da República, uma posição mais firme de protesto face ao que considera fasta de resposta do Governo da República, não deixando de fora a atitude do próprio Presidente da República.
Descubra mais sobre Funchal Notícias
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.






