
O Museu de Arte Sacra do Funchal (MASF) apresenta uma exposição virtual nas redes sociais, intitulada “Tenho uma peça de museu! Narrativas da religiosidade doméstica”. A ideia é ir ao encontro do tema proposto pelo ICOM para a celebração do dia Internacional do Museus, a 18 de Maio, este ano assente na problematização dos museus enquanto espaços de igualdade, inclusão e diversidade.
A proposta do MASF, explica-nos a instituição, consiste num convite à participação dos residentes da Madeira e do Porto Santo na realização de uma mostra digital através das redes sociais do MASF no Instagram e do Facebook. Esta actividade pretende criar um “diálogo virtual entre as suas colecções e as imagens de vulto que povoam as casas dos madeirenses e portosantenses, dando a conhecer a diversidade das invocações, os vínculos e as narrativas de fé numa época particularmente difícil como a que atravessamos”.
As imagens de temática religiosa que existem nas casas dos madeirenses, e com as quais estes estabelecem uma relação devocional, nem sempre podem ser consideradas imagens excepcionais do ponto de vista artístico. O seu maior valor reside, na maior parte das vezes, no carácter simbólico e na capacidade que elas têm de documentar as vivências da religiosidade e da fé individual no espaço doméstico, refere o MASF.
Ora, o tema da proposta apresentada “é uma espécie de interrogação aberta que deixa no ar alguns pontos para a reflexão: O que é ser peça de museu? Terá que ver apenas com o inegável valor histórico e artístico? Ser um documento material muito antigo e irrepetível? Um objecto comum pode ser exposto no museu? O museu e os seus dispositivos (plinto, vitrine, legenda, ecrã, etc.) conferem um outro efeito de visibilidade ao objecto comum que o ambiente quotidiano não lhe reconhece? Como pode um museu de arte sacra, que fala da religiosidade de um povo através de objectos de inegável excelência e criteriosa selecção artística do passado, falar da mesma religiosidade e fé que, no presente, se faz acompanhar de testemunhos materiais mormente desprovidos de sentido estético e artístico? Por fim, num mês mariano como é Maio e num período de início de desconfinamento em contexto de pandemia, quais foram as devoções a que os madeirenses e portosantenses têm recorrido na esperança da vinda de melhores tempos? Manter-se-ão as devoções aos Santos intercessores contra epidemias e causas impossíveis como o foram a de São Sebastião, a de São Roque, a de São Tiago Menor; a Santa Rita de Cássia?” Interrogações a que o Museu de Arte Sacra pretende contribuir para obter respostas.
Para participar nesta exposição, basta seguir as instruções publicadas nas redes sociais, designadamente o envio, para o endereço masfunchal@gmail.com , de uma fotografia frontal, em fundo neutro bem iluminado, de uma imagem de vulto de existente no espaço doméstico dedicado ao sagrado, numa perspectiva ecuménica e inter-religiosa, não cingida ao credo cristão.
A imagem deverá ser acompanhada, ainda, de um pequeno texto para legendagem, que identifique o local de produção da imagem (país, cidade), a data aproximada de produção, os materiais e as técnicas que compõem o objecto, a origem (a quem pertenceu originalmente) e uma descrição entre 50 a 80 palavras para narrar o que de mais relevante há a dizer sobre a imagem do ponto de vista da fé e da religiosidade.
Entretanto, o MASF vai reabrir ao público na próxima segunda feira, dia 18 de Maio, com um novo horário. Passará a estar aberto semanalmente de terça-feira a sábado entre as 14H00 e as 17h00, e o preço de entrada no museu baixa dos 5 euros para os 3 euros.
“Desde que o museu encerrou as portas a 13 de Março, em plena primavera e tempo celebrativo da Páscoa, por motivos de confinamento social, as dinâmicas de comunicação em torno das suas colecções têm sido concentradas com uma regularidade diária, nas redes sociais, através das mais diversas rubricas como a descoberta de pormenores de todas as categorias artísticas de objectos através do tema “Como um jardim expandido”, “Conheça os 11 mestres flamengos no MASF” ou “ O MASF nas imagens em movimento”. Várias têm sido, também, as celebrações de efemérides importantes e sempre relacionadas com o universo temático e matricial do museu e o edifício do MASF na sua relação com a paisagem urbana. No próximos meses estão programadas novas rubricas: “Rostos sem máscaras”; “A leitura e a interpretação da obra de arte”, “Santos e devoções populares – entre o oratório e as fontes”.
1- Ambiente de simulação expositiva, com título, legenda e objeto.
2- Nossa Senhora de Fátima e os três pastorinhos, imagem popular exemplificativa, de produção industrial e em plástico, da segunda metade do século XX.
3- São Roque, santo protetor contra a epidemia da peste e um dos antigos padroeiros do Funchal. Escola Flamenga, oficina de Malines, final do século XVI.
4- São Sebastião, santo protetor contra epidemias. São Sebastião. Portugal, Diogo Pires, o Moço, século XVI.
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