
O presidente da Associação Comercial e Industrial do Funchal (ACIF-CCIM) não consegue esconder uma grande preocupação a poucos dias da data (18 de maio) definida pelo Governo Regional para reabrir o setor da restauração. Está consciente da importância da retoma da economia, mas também está certo das dificuldades que o tecido empresarial dessa área de atividade, composto por pequenos empresários em pequenos espaços, está já a enfrentar.
Jorge Veiga França fala claro: “Há muitos restaurantes que não vão reabrir a 18 de maio. Só uma minoria é que vai conseguir. E reabrir para daqui a uns dias entrar em falência, é um cenário que está muito presente para aqueles que não tiverem apoio. É preciso ter isto em conta”.
É nesse contexto de conhecimento profundo, também relativamente aos restaurantes e bares da Madeira, que o presidente da ACIF traça um panorama pouco animador para essa reabertura, em função das previsíveis restrições impostas, que no continente já estão a provocar descontentamento. “Na Madeira não é diferente no que se prende com essas preocupações. Não tenho dúvida sobre as dificuldades”.
Veiga França lembra que todo o processo relacionado com a restauração envolve, em grande parte, o setor do Turismo enquanto fatia significativa de obtenção de resultados, sendo que neste momento o turismo está parado. E por isso, “manter um restaurante aberto numa altura em que, internamente, o poder de compra diminuiu, alem de ser um cliente que incide mais no fim de semana e alguns trabalhadores que almoçam nos espaços do centro do Funchal, torna-se extremamente difícil sobreviver num quadro destes, sobretudo para o número de restaurantes que existia antes da pandemia”.
Face a esta nova realidade, o lider da ACIF defende que “a reabertura dos restaurantes não deve ser obrigatória, com a consequente saída do regime de “lay-off”. “Esta é uma das condições que nós apresentamos”. Para Jorge Veiga França, sabendo que se trata de uma legislação da competência do Governo da República, “é urgente rever o regime de “lay-off”, para ser possível a recondução desse apoio para os que vão abrir, tendo em conta a sua dimensão anterior e a necessidade de salvaguardar postos de trabalho num quadro de retoma que não é normal. Além disso, é preciso a continuação em “lay-off” para aqueles que optarem por não abrir. É que não vai dar para todos, nem para os que abrem. Não há turismo, o poder de compra interno é menor e com a capacidade dos espaços reduzida a metade, será muito complicado”.
Revela que a ACIF já fez chegar à Câmara do Funchal uma solicitação no sentido do alargamento das esplanadas como forma de compensar as restrições no interior dos espaços, sendo que encontrou recetividade por parte da Autarquia. “Como se sabe, a maioria dos restaurantes da Região são minúsculos e se não encontrarmos uma solução nas esplanadas, torna-se quase impossivel manter o negócio e, simultaneamente, as regras apresentadas pela Direção-Geral de Saúde, de distanciamento das mesas, sem aglomeração junto ao pagamento, entre outras. Não é preciso ser economista para concluir que a maioria não se aguentaria nessas condições”.
Jorge Veiga França revela que todas estas situações já foram transmitidas ao Governo Regional, anunciando que hoje mesmo, de manhã, no decurso de uma reunião do Conselho Consultivo de Economia, essas propostas estiveram em cima da mesa. “Demos conta que uma parte de vários dos nossos associados do setor tem abordado a questão relacionada com os meios de proteção, que de alguma forma pudesse ser um investimento alvo de apoio. Há um apoio nacional anunciado, mas ainda não tem regulamentação. Lá está, mais uma vez, são medidas que se atrasam na sua implementação”.
A necessidade de uma intervenção da União Europeia é um passo decisivo na perspetiva da ACIF. Diz ser importante que “a UE comece a agir como deve ser, através do fundo de recuperação, com normas claras”, tendo sempre em conta as dificuldades que os países e as Regiões atravessam, reafirmando uma situação muito particular da Madeira, de viver fortemente do Turismo e este estar parado.
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