Teste negativo à Covid-19 e viagem em voo privado explicam “livre trânsito” para quarentena em casa do treinador do Marítimo

Foto Marítimo/ arquivo FN

O regresso do treinador do Marítimo à Madeira, em plena pandemia e num quadro em que tinha, forçosamente, a exigência de cumprir o período de quarentena numa unidade hoteleira, a exemplo do que vem acontecendo com qualquer passageiro que chegue ao Aeroporto Internacional da Madeira, onde foi fixado um limite de chegadas em cem pessoas por semana, tem suscitado algumas dúvidas e foi tema abordado na conferência de imprensa de balanço diário da Covid-19 na Região.

José Gomes chegou à Madeira e não foi para qualquer hotel, situação que desde logo provocou reações assentes no facto de o técnico do Marítimo estar supostamente a beneficiar de um estatuto especial, relativamente ao comum dos cidadãos nas mesmas cirscunstâncias. O secretário regional da Saúde, Pedro Ramos, também não foi claro, disse apenas que o técnico tinha um documento, validado pela autoridade de saúde regional, que viabilizava o cumprimento da quarentena em casa e não num hotel. E pronto, sem mais explicações, ficou uma grande interrogação no ar. Adensou-se mesmo.

E foi o próprio treinador que veio esclarecer o que se passou, numa nota publicada no seu site pessoal, sendo que aquele é o esclarecimento do técnico, que não tendo termo de comparação com qualquer situação similar, continua a deixar dúvidas sobre se, nas mesmas circunstâncias, essa exceção seria aceite para outro cidadão que chegasse em avião privado. Mas sem dúvida que é uma explicação para o sucedido, presumindo-se que a autoridade de saúde, face às evidências, considerou viável excecionar a situação do técnico.

No site, é explicado que “José Gomes tomou iniciativas a nível particular para que pudesse regressar à Madeira, tendo em vista o regresso aos trabalhos no Marítimo, agendados para breve.

O cancelamento de inúmeras voos para a Madeira e o facto de ter passado de lista de espera em lista de espera, depois de ter sido impossibilitado, o cumprimento do plano inicial, de viajar a 16 de Abril. José Gomes realizou, por sua iniciativa, o teste da Covi-19, com resultado negativo e requisitou voo privado para acelerar regresso à Madeira

Depois de ter estado em Matosinhos, para estar perto da família, assim que foi decretado o Estado de Emergência, por causa da Covid-19, continuou a trabalhar, gerindo de forma virtual os exercícios dos jogadores, nas respectivas residências, entre outras tarefas inerentes às suas funções.

“Os voos do Porto cancelados e de Lisboa passaram a dois ou três por semana. Depois de não haver oportunidade de voar a 16, 18, 21, 23, 25 e 28, disseram-me que só podia voar a 2 de Maio. Para atenuar a minha ausência, e sabendo que tinha de cumprir quarentena na Madeira, vim num voo privado, pago por mim, só com as presenças do piloto e do co-piloto. Fui para o aeroporto e viajei com máscara e luvas. Igualmente por minha iniciativa paguei o teste ao Covid-19, cujo resultado foi negativo, que reencaminhei para o médico do Marítimo e que, depois, fez chegar às entidades competentes da Madeira.

O treinador dos madeirenses referiu que a sua atitude se deveu “o respeito que tenho pela instituição levou a que assumisse na integra as despesas desta viagem. O Marítimo não tem culpa  nenhuma disto e eu também não”.

Apesar de ter estado todo este tempo em isolamento com a família, José Gomes reforçou ainda a intenção de viajar apenas depois de conhecer o resultado do teste, assegurando desta forma o seu bom estado de saúde e em nenhum momento correr qualquer risco de prejudicar o excelente trabalho do Governo Regional, da Direção Regional de Saúde do esforço dos madeirenses”.


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