











Quem dá uma volta bem dada a um Funchal em tempo de pandemia da Covid-19 e em pleno terceiro “estado de emergência”, depara-se, no fundo, com tudo o que, por certo, ocorre em todo o mundo. A “desertificação” de uma cidade preocupada com a doença, prestando os serviços essenciais, a saúde, o socorro, convivendo com a inconsciência e aquilo a que alguém já chamou de “iliteracia de Saúde” para justificar certos comportamentos de pessoas que não são propriamente os “sem abrigo da formação”.
As ruas da cidade deixam saudade em cada pedaço, mais nuns lados do que noutros, aos que lá não vão há mais de um mês e conforme as zonas que cada um já tinha como adquiridas. Foi como se alguém tirasse um pouco de cada um de nós. É como se tivessemos um pouco lá mesmo estando distantes. Acontece, também, em cada concelho, em cada freguesia, em cada sitio. Muitos (a maior parte) ficam em casa, como “manda” a recomendação. Enquanto outros vão ficando mas vão andando como se este vírus fosse coisa que não atinge.
A cidade, o Funchal, perdeu vida, ganhou outras assimetrias de comportamentos, anda entre o recolhimento da responsabilidade e o acolhimento da irresponsabilidade. O medo de uma insegurança que finalmente as patrulhas policiais vão vendo com os próprios olhos, embora a legislação trate de resolver pelo lado mais fácil. Furtam, são detidos, são libertados, voltam a furtar. E quando a cidade “acordar” deste pesadelo? Que cidade vamos reencontrar?
Mas por agora, fiquemos por um Funchal à espera. E é à espera que ficamos de um reencontro com a economia, com as pessoas, mas tambem com a nova cidade. As filas para os supermercados ainda mantém alguma distância, mas dentro dos supermercados e nas filas de pagamento, é tudo aquilo que não se recomenda. É por isso que se compreende os receios dos trabalhadores, protegidos por obrigação, mas confrontados com clientes assumidamente desprotegidos por uma palavra recomendação.
Ficam as imagens elucidativas dessas assimetrias, que passam pelo regresso ao trabalho de certas atividades que ainda estudam planos de contingência mas já vão trabalhando com as contingências sem plano, nas obras privadas e públicas, com comportamentos que um vírus que diz ser inteligente, pode dar a volta a alguma falta de inteligência, ainda que parcelar, de muita gente.
Ficam estas imagens de hoje de uma “nova” cidade à espera das gentes e com gentes à espera de nada. Com diferenças comportamentais para respeitar, mas também com a exigência do respeito pelas liberdades dos outros, que não podem ser atropeladas a pretexto dessas diferenças, sobretudo quando estamos perante um caso muito sério de Saúde Pública.
O comportamento de cada um é decisivo para o coletivo.
Fiquem em casa, pedem as autoridades. Cuidem da cidade, pedem as pessoas.
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