
O Estepilha anda intrigado com os preços especulativos de alguns produtos em período de pandemia. Um “vírus” à parte. Pouca gente fala, mas cada vez que o povo vai a uma frutaria ou a um supermercado, pequeno ou grande, o resultado é o mesmo, varia no montante, dependendo das compras, mas de certeza que é preciso mais 10, 20 ou 30 euros em cima, relativamente ao que custava antes.
Primeiro, ninguém faz contas pelo mais barato, simplesmente por não poder fazer isso, compra o que há e o que há é mais caro. Depois, mesmo o que há, tem agora preços diferentes. Isto não é perceção, é constatação. Para não falar nas máscaras, que já custaram pouco mais de um euro por pacote de cinco e agora custa mais de dois euros cada uma. E álcool. E produtos de desinfeção. Querem mais? Um caso muito sério que ainda levamos a brincar, enquanto houver dinheiro.
O Estepilha não sabe nada de leis e até parece que as entidades responsáveis pela fiscalização não andam às compras para ver este paradoxo de se pedir para comprar produto regional e o produto regional “escaldar” na carteira em muito comércio aberto. Aquilo que o estepilha sabe é o que se vê no dia a dia em que se anda na rua sempre a fugir, compra-se sempre a fugir e paga-se sempre a fugir, a fingir que não se vê. A possibilidade de apanhar o vírus numa esquina da prateleira ou evitar a senhora que quase sobe pelos nossos ombros para agarrar numa caixa de cereais, faz-nos entrar numa corrida sem amanhã.
Mas pronto, isto vai ficar bem. Dizem isso e a gente pensa com convicção. Com menos uns euros na carteira, mas com convicção que é por uma boa causa e para não faltar comer em casa. Comer e papel higiénico. E o Estepilha até ficou mais descansado quando, por mero acaso, foi ao site da ARAE, que é uma dita Autoridade Regional de Atividades Económicas, e viu que, afinal, as estruturas de fiscalização estão a trabalhar, para contrariar os que pensam que não. E se estão a trabalhar, não podem andar a ver preços. A ARAE fez alertas para perigos em vários brinquedos, um camião dos bombeiros, uns binóculos, um conjunto de instrumentos musicais, uma pulseira. Alertas verdadeiramente importantes, não temos qualquer dúvida, sobretudo para quem tem miúdos. Quanto aos graúdos, vão chegar lá, não queiramos tudo de uma vez.
Claro que o Estepilha pensou melhor e, na realidade, se mandam ficar em casa, como é que os inspetores andam na rua? Ou é para ficar ou é para ir, as duas coisas é que não. Penso que sabem que têm autoridade de polícia criminal, podem atuar como se fosse uma polícia, mas para polícia já chega a PSP. Além disso, um aviso para um camião de bombeiros que pode ser perigoso, pode provocar asfixia, também não cai mal nesta época. É sempre bom alertar.
Se não fosse que é o Estepilha, que sabe que ninguém anda a brincar nestas alturas, até se corria o risco de dizer que há tempo para tudo, para os carrinhos com risco de asfixia e para a asfixia dos preços que põe o povo a “andar de carrinho”.
Vai ficar bem. Para alguns…
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