
Américo Araújo é açoriano, estivador no Porto de Ponta Delgada, dirigente sindical do SEAL (Sindicato dos Estivadores e da Actividade Logística), foi a voz do protesto dos profissionais que operam no porto do Caniçal, fazendo chegar a Miguel Albuquerque, numa publicação do Governo Regional, no Facebook, um agradecimento e um pedido. O agradecimento pela eficácia do plano de contenção à Covid-19 na Madeira. Um pedido para que o presidente do Governo tenha em conta os riscos dos trabalhadores quando descarregam carros em cima dos contentores. Nos Açores, isso não acontece já há semanas. Não teve resposta, ainda, mas sente que era importante alertar.
“Boa noite, sh. Presidente do Governo Regional da Madeira, Miguel Albuquerque. Venho desta forma dar-lhe os parabéns, por todo a trabalho e esforço que tem feito, por todos os Madeirenses! Mas não posso deixar de mencionar o facto de haver algumas medidas ainda a ter em conta, nomeadamente a situação do Porto do caniçal, ainda estar a receber carros piados em cima dos contentores , colocando desta forma os estivadores como grandes alvos de contaminação. Uma vez que estes carros antes de chegarem à ilha da Madeira são manuseados por várias pessoas de lugares de alto risco, como por exemplo do continente. Quando estes chegam à ilha são novamente manuseados pelos estivadores, que por mais medidas de precaução que têm ainda correm grandes riscos de levarem o vírus para o seio familiar. Falo-lhe desta forma porque os carros piados em cima dos contentores têm um custo mais baixo do que seja vindo dentro de contentores , mas será que vale o risco?!!
Na minha modesta opinião e trabalhando nesta área posso lhe dizer que se são carros de carga urgente para o porto de caniçal, o cliente no acto da entrega coloca o carro dentro do contentor, o contentor é selado e o cliente que recebe o carro, é responsável pelas medidas de precaução e desinfestação do carro, para o seu devido uso. Acho que seria uma boa forma de prevenção para os estivadores e seus familiares. É de referir que os Açores já estão com estas medidas desde o início.
Muito obrigado por sua atenção!”. Foi este o contéudo dessa publicação.
Em declarações ao Funchal Notícias, Américo Araújo diz que “nos Açores, já resolvermos esse problema, mas parece que na Madeira os armadores não querem resolver e a situação envolve um grande risco para os estivadores, que entram nos carros para colocá-los no navio e depois, à chegada, são os de cá que entram nos veículos para descarregar, quando existia outra situação envolvendo menor risco, como seja a colocação dos carros dentro dos contentores, que seriam selados à partida, havendo apenas duas pessoas a manusear, quem leva e quem bem buscar”.
Aquilo a que chama, no texto para Miguel Albuquerque, de carros piados, são na verdade os carros a granel, os que vêm em cima de contentores, cujo processo de carregamento e descarregamento envolve elevados riscos em contexto de pandemia e num momento em que tomam inúmeras precauções para reduzir esses mesmos riscos. “Neste processo, não dá tempo a desinfetar o carro, as pessoas querem é despachar todo o circuito. É um risco para os estivadores e para as pessoas que vêm receber os carros. Ninguém sabe quem está contaminado, por isso era importante tomar as devidas medidas para que a situação seja alterada. Basta um estivador ficar contaminado que, devido às medidas em curso, pode até parar o porto”.
O “post” de Américo Araújo foi colocado numa publicação onde Miguel Albuquerque afirma que “é preciso dizer que o vírus não está erradicado na Região Autónoma da Madeira, nem este é ainda o momento de abrandar as medidas de confinamento obrigatório decretadas. Reiteramos que está em causa o valor supremo que é a vida”.
Descubra mais sobre Funchal Notícias
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.





