RAM deixa clara intenção de realizar cada vez mais indicações da OMS: “Testar, testar, testar”

Uma nota dominante no discurso dos responsáveis de Saúde da RAM, Pedro Ramos e Bruna Gouveia, ao falarem hoje da situação do novo coronavírus na Região, foi a insistência de que se estão a realizar cada vez mais testes, contra as críticas de que não se estão a fazer os suficientes. O FN não é estranho a esta situação: também ao nosso jornal têm chegado, inclusive, opiniões de médicos que consideram que não se está a testar o suficiente, sendo a orientação da Organização Mundial de Saúde precisamente “test, test, test”. Porém, o secretário regional da Saúde e Protecção Civil afirma que não há nenhum atraso na chegada da primeira remessa dos testes encomendados aos Estados Unidos (10 mil numa primeira tranche de um total de 100 mil) e insiste que cada vez mais as autoridades de saúde da RAM estão a apostar em testar.

“Depois da aplicação de medidas restritivas, começamos agora a caracterizar a nossa população. Aparentemente estamos numa fase de grande contenção (…) o que se expressa nos nossos resultados, 50 casos positivos apenas”, declarou, durante a conferência do IASAÚDE de hoje. “Todas as medidas restritivas até agora tomadas pelo Governo Regional têm sido muito positivas”, garantiu.

A chegada de material, através do avião da Força Aérea, expressa em fatos, luvas, máscaras, também está sob controle, afirmou, para fornecer com adequados equipamentos de protecção os profissionais de saúde da RAM, que estão na linha da frente.

Quanto aos 100 mil testes, disse, “não chegarão num dia só, mas gradualmente, ao longo de várias semanas”. A intenção agora, segundo expressou, é de facto a de começar a testar cada vez mais, nomeadamente doentes que chegam ao serviço de Urgência, doentes cirúrgicos, oncológicos, os que deverão ficar em internamento, e aqueles que vão para as casas de saúde.

Pedro Ramos congratulou-se ainda por a caracterização da população sem-abrigo, até agora, ter fornecido apenas resultados negativos, e que considerou “uma boa notícia em termos epidemiológicos”. Disse esperar que, de facto, o número crescente de testes que vão começar  ser realizados “não demonstre muitos casos positivos”. Referiu ainda que a Região não está apenas dependente da chegada dos testes encomendados aos EUA, pois “também recebemos 15 mil testes do Serviço Nacional de Saúde”.

Sobre as 55 pessoas que actualmente aguardam resultados de exames, Bruna Gouveia disse que das mesmas há 12 pessoas a quem foram feitas colheitas no Porto Santo, e “que se encontram neste momento em trânsito para a Madeira para ser realizado o teste”. Outras “podem ser também colheitas feitas antes do final do dia de ontem”. Há outras situações relacionadas com doentes que vão ser hospitalizadas e que estão a ser alvo de despiste. “Temos agora novas fontes de casos notificados e que vão ser feitas em horários diferentes. Há aqui um timing para resultados que se vão acumulando”, explicou.

Pedro Ramos, por seu turno, adiantou a intenção de iniciar testes na população dos lares de terceira idade. 2725 pessoas, entre profissionais e idosos dos lares e IPSS, terão de ser testadas, sendo feito o controle de temperatura e os casos suspeitos “serão testados” ao Covid-19, adiantou. Também disse que a distribuição de máscaras deverá abranger os idosos dos lares.

O governante, interpelado por um jornalista que o inquiriu sobre o facto de Cristiano Ronaldo ter ido treinar à Choupana e sobre se teria sido aberta alguma excepção ao famoso futebolista , no presente estado de emergência, retorquiu que não, que não tinha sido aberta qualquer excepção, mas não considerou significativo que o atleta madeirense tenha lá ido treinar, alegando que as pessoas não estão proibidas de sair de casa para fazer exercício.