Martins Júnior e a quarentena: “Guardemos as nossas forças para mais tarde, quando a pandemia fugir”

O Pe. Martins Júnior escreveu ontem no seu blogue “Senso & Consenso”, um texto sobre os tempos de quarentena quie vivemos. Sob o título “”Uma Quarentena Sob Protesto!”, sugeriu o acatamento das recomendações das Autoridades.

Eis o texto:

“Acalmem-se, façam um pouquinho de intervalo. Todos os dias, o ‘Covid.19’. de manhã, ao almoço, jantar e ceia. Já vão cansando demais”…

Embora discordando parcialmente dos comentários como os que acabo de citar, vou suspender a série de mensagens que, nos dias ímpares, tenho ininterruptamente dedicado à grande manchete do tempo, o malfadado ‘coronavírus’. Vou entrar noutra “quarentena”.

Antes, porém, a tudo quanto reflecti – e muito mais falta ainda – sobre este apocalíptico exterminador, permitam-me adicionar duas notas complementares. A primeira serve para sublinhar os gestos das várias entidades públicas e privadas que têm entregue volumosas dádivas a esta causa, desde milhares e milhões de euros, até viseiras, máscaras, ventiladores. Ao cidadão comum, à grande multidão que nada pode doar, em valores faciais, ouso dizer: “Fiquemos em casa. Se cada um de nós cumprir este forçado isolamento social, tenhamos a certeza de que fizemos a maior oferta, a mais rica doação. Ficando em casa, dispensam-se ventiladores, viseiras, milhares e milhões.  Eu fico”!

A outra nota advém do espectáculo tremendo que há cerca de quarenta e cinco anos deixáramos de ver no nosso país: ruas e avenidas desertas, proibição de ajuntamentos,  polícia nas portagens e nas encruzilhadas, enfim, o cidadão preso na sua própria casa, transido de medo. Um cenário de ditadura, pura e dura. Uma atmosfera de chumbo, com a tenebrosa PIDE  a controlar os nossos passos. Sabemos que é apenas cenário, pois são tão diversas as causas e as circunstâncias. No entanto, há quem olhe mais atentamente a história e até vaticine que é neste ‘caldo’ de calamidade pública que os políticos astutos forjam sub-repticiamente os regimes ditatoriais. Por isso, eis a minha sugestão: sigamos inteligentemente as normas oficiais aceitando as necessárias restrições do momento e sem altercar com as forças da ordem. Não esperemos que a PSP ou a GNR nos venham autuar, multar ou prender. Não habituemos os políticos a usar e abusar contra nós os agentes da autoridade. Guardemos as nossas forças para mais tarde, quando a pandemia fugir, para  quando e se o regime pretender coarctar os nossos direitos, liberdades e garantias. Aí sim, repetiremos como há quarenta e cinco anos: “A reacção não passará”!

Posto isto, volto à minha “quarentena”. Dura uma semana apenas. Eu bem sei e estou com Blaise Pascal quando afirmou que “Jesus estará em agonia até ao fim dos tempos”. E acrescento: Ele está, sempre esteve e sempre estará. É da Semana, chamada, a Maior que escrevo. Maior, dizem alguns, mas também a menor, a ínfima, a mais degradante da história.

É aí a minha “quarentena”. Faço-a sob protesto, tal como publicamente tenho feito há cinco décadas com a comunidade a que pertenço. Este ano será no mais recôndito silêncio. Sob protesto, também,  porque preferia nunca fazê-lo. Alcandorar em espectáculo o maior crime da história???!!!… Arvorar em hasta pública  o julgamento, a condenação e a mais ignominiosa execução de Alguém que “passou pelo mundo fazendo o bem”???!!!… Alguém, o mais Inocente exemplar da humanidade, vítima da mais vil ditadura, da satânica aliança entre o poder religioso e o poder político de Jerusalém???!!!…

Uno-me a todos quantos procuram ver e interpretar o “Processo de Jesus”, na esteira do dramaturgo Diego Fabri. Não perderei um instante com as sádicas e horrendas caracterizações de Jesus feitas pelo publicitário de bilheteira Mel Gibson e similares. Também não permitirei que, para esconder os assassinos de Jesus, me venham dizer que Ele morreu pelas minhas asneiras, a que chamam pecados. Eu quero é saber qual o ‘corpo de delito’, a acusação,  os autores, enfim, as alegações e as causas de tamanha tragédia, que envergonha a Humanidade. Quero ler o Cristo histórico. Tudo o mais vem depois. Eis a minha “quarentena”. E o meu protesto”.