Saiba como controlar os alimentos para as crianças em período de isolamento social

O isolamento social deixa as famílias com vários problemas para resolver. Tratando-se do maior desafio de gerações, torna-se importante, num contexto de, simultaneamente salvar vida e aprender a viver, encontrar mecanismos para passar o melhor possível, o mais saudável possível, meses dentro de casa. A alimentação é fundamental e é para isso que a Direção-Geral de Saúde chama a atenção através de recomendações especificamente destinadas às crianças e, por isso, pede cuidado aos pais.

A DGS aponta que “as medidas adotadas para a prevenção da propagação da COVID-19, nomeadamente a interrupção da atividade letiva e a necessidade de uma permanência prolongada em casa, alteraram a rotina de milhares de crianças. Menos atividade física e alterações no comportamento de compra de alimentos por parte dos encarregados de educação, podem colocar muitas crianças em risco. Nestas condições, o consumo de alimentos hipercalóricos e de menor densidade nutricional associados ao sedentarismo podem promover o ganho de peso e o aparecimento de doenças associadas no futuro”.

“A alimentação é um dos determinantes mais importantes da nossa saúde e, nos primeiros anos de vida, tem uma importância ainda maior. A alimentação na infância tem um papel determinante no crescimento e desenvolvimento das crianças e é neste período que se moldam os nossos gostos e preferências alimentares e que programamos a nossa saúde futura. Durante este período da vida, os encarregados de educação são os modelos qque as crianças tendem a imitar. De um modo geral, quando os pais têm hábitos alimentares saudáveis, os filhos também.

Em Portugal, 29,6% das crianças entre os 6 e os 9 anos têm excesso de peso, incluindo a obesidade. Uma percentagem ainda muito elevada, mas ao longo dos últimos anos tem-se verificado uma tendência decrescente da prevalência de excesso de peso nas crianças portuguesas, resultado, possivelmente da implementação de um conjunto de importantes medidas de saúde pública (alteração da oferta alimentar em ambiente escolar, imposto sobre as bebidas açucaradas, restrição da publicidade alimentar dirigida a crianças, iniciativas na área da promoção da literacia alimentar e nutricional). Mas a par destas medidas, a educação alimentar em casa é fundamental. Só iremos conseguir manter esta tendência decrescente se formos todos agentes promotores da alimentação saudável, em particular, nestes momentos em qua as crianças passam mais tempo em casa..

A DGS recomenda “comer mais fruta e hortícolas, nas quantidades necessárias, sendo esta a regra de ouro da alimentação saudável. Garantir o consumo de sopa no início das refeições principais e 2 a 3 peças de fruta por dia, pode ser o suficiente para atingir a quantidade recomendada por dia para estes alimentos. Para além da sopa, a presença de hortícolas no prato é também desejável, porém os hortícolas são, por vezes, os alimentos mais rejeitados pelas nossas crianças e por isso devemos ser imaginativos na forma como os apresentamos no prato, nas refeições ou mesmo em snacks”.

No seguimento da recomendação “as bebidas açucaradas (bebidas refrigerantes, néctares e sumos de fruta) são um dos produtos alimentares que mais contribuem para a ingestão de açúcar nas crianças e adolescentes. Reduzir o seu consumo e promover em alternativa o consumo de água nas crianças é central para uma alimentação saudável. Ofereça às crianças a sua garrafa reutilizável ou institua o momento do copo de água em casa durante este período de “quarentena”. Pode também experimentar preparar algumas águas aromatizadas. Esta é a altura de experimentar e aprender a beber novas bebidas sem açúcar, mas igualmente saborosas

Estar mais tempo em casa pode ser sinónimo de comer mais e, em particular, de comer com mais frequência ao longo do dia e de optar por snacks menos saudáveis. A estratégia mais eficaz para evitar o consumo excessivos destes produtos alimentares é seguramente não comprar e substituir estes alimentos por outros mais saudáveis, mas saborosos à mesma. Esta pode ser uma recomendação particularmente relevante para quem tem crianças e adolescentes em casa. Mais vale não os ter em casa do que instituir regras difíceis de cumprir nestes dias já difíc

O leite e derivados (iogurte e queijo) são alimentos importantes para o crescimento e desenvolvimento das crianças. São fonte de nutrientes essenciais como o cálcio e outros minerais e vitaminas. Contudo, o seu consumo não deve ser exagerado. A quantidade diária não deve ser superior a 400-500 ml. É muito importante ler os rótulos e comparar e escolher lácteos com menos açúcar, preferindo iogurte sem aromas ou sem pedaços de fruta. A fruta pode ser adicionada em casa”.

“Devemos incentivar as crianças a comer alimentos de cada grupo da Roda dos Alimentos e beber água diariamente. Comer em maior quantidade alimentos dos grupos com maior dimensão e em menor quantidade alimentos dos grupos mais pequenos. Alertamos para a importância de variar dentro do grupo da “Carne, pescado e ovos”, incentivando o consumo de pescado nas refeições principais. A par do leite e iogurtes, o pescado pode ser uma das melhores fontes de iodo na nossa alimentação e a ingestão adequada de iodo é importante para assegurar um adequado desenvolvimento cognitivo”.

Sugerem-se quatro atividades que procuram envolver as crianças nas tarefas do planeamento da alimentação familiar. Na primeira atividade, através da elaboração da ementa familiar se-manal, é possível ensinar às crianças as principais mensagens da Roda dos Alimentos – uma alimentação saudável é uma alimentação completa, variada e equilibrada. Com a segunda ati-vidade pretende-se ensinar as crianças a escolher as opções alimentares mais saudáveis, en-sinando-as a ler os rótulos dos alimentos. A terceira atividade, procura transmitir às crianças algumas das regras essenciais para manter a segurança e a qualidade dos alimentos durante o seu armazenamento.


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