A Direção-Geral de Saúde tem publicado várias recomendações, entre elas uma relativamente a estabelecimentos frequentados e expostos a várias pessoas e de forma continuada, sendo que estes espaços podem contribuir para a transmissão indireta do vírus. “O vírus permanece em superfícies durante um período temporal que pode ir de algumas horas a 6 dias, e a limpeza e desinfeção frequente dos espaços diminui consideravelmente esse período”, aponta a DGS.
Assim, devem ser tomadas medidas adicionais de cuidados na limpeza e desinfeção de superfícies, de modo a prevenir a disseminação da COVID-19. Esta orientação poderá ser atualizada consoante a evolução do surto e/ou disponibilização de nova evidência científica.
Como refere o documento da DGS “o novo Coronavírus (SARS-CoV-2) pode transmitir-se por contacto direto e contacto indireto, através de gotículas expelidas para superfícies. À luz do conhecimento atual pensa-se que o SARS-CoV-2 pode permanecer nas superfícies durante pelo menos 48 horas. Se não houver uma limpeza e desinfeção adequada, e o aumento da sua frequência, as superfícies podem constituir-se como reservatórios de vírus e de outros microrganismos.
CONTACTO DIRETO
Através de gotículas que uma pessoa infetada transmite pela boca ou nariz quando fala, tosse ou espirra (e não utiliza as regras de etiqueta respiratória) podendo estas entrar diretamente para a boca ou nariz de uma pessoa que está muito próxima.
CONTACTO INDIRETO
Através das mãos, que tocam nas superfícies contaminadas com as gotículas expelidas pelas pessoas infetadas e que depois são levadas à cara, à boca ou ao nariz inadvertidamente, sem termos feito a higiene das mãos.
Todas as superfícies podem ser veículos de contágio, mas o risco deste contágio varia consoante a frequência de manipulação, de toque ou de utilização. As superfícies com maior risco de transmissão são as de toque frequente, ou seja, as superfícies manipuladas ou tocadas, por muitas pessoas, e com muita frequência ao longo do dia.
São exemplos destas superfícies: maçanetas de portas, interruptores de luz, telefones, tablets e teclados de computadores principalmente quando usados por várias pessoas, botões de elevadores, torneiras de lavatórios, manípulos de autoclismos, mesas, bancadas, cadeiras, corrimãos, brinquedos em salas de diversão para crianças em espaços públicos, dinheiro, entre outros. Algumas áreas de maior risco para a transmissão entre pessoas incluem:
• Áreas de isolamento, quer o quarto da pessoa doente de COVID-19 que permanece no seu domicílio e a casa de banho que utiliza, quer a área(s) de isolamento em estabelecimentos públicos.
• Áreas de restauração onde as pessoas comem (nomeadamente em grandes superfícies e restaurantes) ou outros (mesas, tabuleiros, bancadas, cadeiras) podem aumentar o risco para as pessoas que as frequentam, se não forem desinfetadas frequentemente e entre clientes.
Áreas de confeção de alimentos, são críticos para evitar contaminação dos mesmos. Por isso, existem regras muito rigorosas de limpeza e desinfeção destas áreas; • Instalações sanitárias públicas.
Os estabelecimentos devem assegurar-se que todas as pessoas que trabalham no mesmo, estão sensibilizadas para o cumprimento das regras de etiqueta respiratória (folheto anexo), da lavagem correta das mãos (folheto anexo), assim como as outras medidas de higienização e controlo ambiental abaixo descritas. Salienta-se ainda a importância:
• Cada organização deve elaborar o seu plano de contingência para COVID-19, de acordo com a orientação 006/2020 da Direção Geral da Saúde e atuar em conformidade
• Cada organização deve estabelecer um plano de limpeza e higienização das instalações.
Mais: Este plano deve estar afixado em local visível; o Deve existir um sistema de registo da limpeza com identificação das pessoas responsáveis e a frequência com que é realizada; o Nesta fase, a frequência de limpeza deve ser aumentada não bastando cumprir os horários habituais de limpeza estipulados anteriormente; o Os profissionais de limpeza devem conhecer bem os produtos a utilizar (detergentes e desinfetantes), as precauções a ter com o seu manuseamento, diluição e aplicação em condições de segurança, como se proteger durante os procedimentos de limpeza dos espaços e como garantir uma boa ventilação dos mesmos durante a limpeza e desinfeção. Toda a comunidade, nomeadamente os cidadãos, as famílias e os profissionais nos seus locais de trabalho, devem preocupar-se em manter a limpeza de rotina das superfícies, sobretudo aquelas onde todos tocam frequentemente.
Técnicas de limpeza Os estabelecimentos devem assegurar-se que a limpeza segue a seguinte técnica:
• A limpeza deve ser sempre húmida – não usar aspiradores a seco em zonas públicas, salvo se forem aspiradores com tanque de água que recolhe a sujidade na água; este depósito deve ser despejado e lavado entre cada uma das áreas a aspirar; Deve ser realizada sempre no sentido de cima para baixo e, das áreas mais limpas, para as mais sujas: i.Paredes e teto (se aplicável) ii.Superfícies acima do chão (bancadas, mesas, cadeiras, corrimãos, outros); iii.Equipamentos existentes nas áreas; iv.Instalações sanitárias; v.Chão – é o último a limpar.
Em relação aos materiais de limpeza, os estabelecimentos devem assegurar-se que:
• Devem existir materiais de limpeza distintos (de uso exclusivo) de acordo com o nível de risco das áreas a limpar.
• Os panos de limpeza devem ser, preferencialmente, de uso único e descartáveis (usar e deitar fora), diferenciados por um código de cores, para cada uma das áreas, de acordo com o nível de risco. São exemplos: o Bancadas, mesas, cadeiras, cadeirões de restaurantes e de gabinetes, entre outros: azul; o Mesas de refeição e áreas de preparação de alimentos: verde; o Casas de banho: pano só para limpar o lavatório: amarelo; pano para as sanitas (exterior): vermelho; o A parte interior da sanita não precisa de pano. Deve ser esfregada com o próprio piaçaba e com detergente de base desinfetante.
• O balde e esfregona para o chão são habitualmente reutilizáveis, pelo que se deve garantir uma limpeza e desinfeção destes equipamentos no final de cada utilização. O balde e esfregona devem ser diferentes, para as áreas atrás referidas. Por exemplo: o balde e esfregona usados nas casas de banho, não devem ser usados nas áreas de alimentação, ou em outros espaços públicos. 3.3. Frequência de limpeza Em relação à frequência de limpeza, os estabelecimentos devem assegurar-se que.
• A limpeza de superfícies de toque frequente pode ser realizada com detergente de base desinfetante, para conseguir um procedimento mais rápido, isto é, um produto que contém na sua composição, detergente e desinfetante em simultâneo (2 em 1), compatíveis. Podem ter várias apresentações: líquida, gel, espuma ou spray.
Não usar produtos em spray nas áreas de exposição e venda de alimentos já confecionados.
• A frequência de limpeza das superfícies de toque frequente deve ser no mínimo 6 vezes ao dia, mas pode ser necessário aumentar essa frequência; • Nas áreas de restauração/cafés, esta limpeza rápida deve ser feita quando sai um cliente e entra outro para a mesma mesa. Os puxadores de portas devem ser limpos com mais frequência (cerca de 1 vez por hora).
• Chão: lavar com água quente e detergente comum, seguido da desinfeção com solução de lixívia diluída em água. A frequência de limpeza deve ser no mínimo 2 vezes ao dia.
• Instalações sanitárias (casas de banho): lavar preferencialmente com produto que contenha na composição detergente e desinfetante porque é de mais fácil aplicação e desinfeção. A frequência de limpeza do chão deve ser no mínimo, 3 vezes ao dia.
• Os espaços onde podem estar crianças a brincar, devem ser limpos mais vezes durante o dia.
Relativamente aos produtos de limpeza e desinfeção, os estabelecimentos devem assegurar-se que:
• De forma a serem tomadas as medidas necessárias para proteger a saúde e o ambiente e garantir a segurança nos locais de trabalho, é necessário ter no estabelecimento as fichas de dados de segurança dos produtos (vulgarmente designadas por fichas técnicas) que constam no plano de higienização.
• Devem ser cumpridas as indicações do fabricante e instruções nos rótulos dos produtos e nas fichas de segurança.
• Os produtos químicos devem estar devidamente rotulados, fechados e conservados nas suas embalagens de origem, de modo a evitar o risco de contaminação de alimentos, por exemplo.
• Os produtos químicos devem ser armazenados fora das áreas onde são manuseados os alimentos, em local fechado e devidamente identificado e fora do alcance de crianças ou pessoas com necessidades especiais.
• Os detergentes a usar são os comuns ou de uso doméstico; • Os desinfetantes mais utilizados são: a vulgar lixívia (hipoclorito de sódio) com pelo menos 5% de cloro livre na forma original e o álcool a 70%.
• Podem ser ainda utilizados produtos de desinfeção rápida sob a forma de toalhetes humedecidos no desinfetante e fornecidos em dispensador próprio (facilitando tirar 1 a 1 sem os contaminar). Estes são produtos que juntam habitualmente na sua composição, detergente e desinfetante compatíveis. Estes toalhetes são para usar numa superfície e não devem ser reutilizados em várias superfícies, porque favorece a disseminação dos agentes contaminantes. Usar um toalhete para cada superfície e descartar para o caixote do lixo. Não secar a superfície depois de usar o toalhete desinfetante, porque é necessário que a superfície fique molhada durante uns minutos até secar ao ar, para ser eficaz.
• Existem no mercado, pastilhas de Dicloroisocianurato de sódio (com efeito semelhante à lixívia) mas de preparação mais rápida, não necessitando de grandes espaços para armazenar. Os utilizadores devem seguir as instruções do fabricante (rótulos) para o seu uso em segurança; estas pastilhas devem ser preparadas só na altura da utilização, para manter a sua eficácia.
• As partes metálicas das superfícies ou as que não são compatíveis com a lixívia, devem ser desinfetadas com álcool a 70% ou outro produto compatível, para evitar a corrosão ou danificação; • Ao aplicar lixívia ou outro produto semelhante, abrir as janelas para arejar e renovar o ar, ajudando também a secar mais rapidamente as superfícies.
Uso de equipamentos de proteção individual pelos funcionários de limpeza: Em relação a equipamentos de proteção individual, os estabelecimentos devem assegurarse que:
• Os funcionários que limpam as áreas de alimentação não são os mesmos que limpam as casas de banh.
• Nesta fase de possível disseminação do vírus, aconselha-se a que os profissionais de limpeza usem:
. Bata impermeável, embora possa também ser usado um avental impermeável por cima da farda (não usar a roupa que traz de casa); o Uma máscara comum bem ajustada à face – a máscara deve ser mudada sempre que estiver húmida (mínimo de 4-6 horas).
. Luvas resistentes aos desinfetantes (de usar e deitar fora).
. Utilizar uma farda limpa todos os dias e um calçado próprio só para as limpezas; a farda deve ser lavada nos locais de trabalho e preferencialmente em máquina com ciclo de lavagem e desinfeção pelo calor – não deve ser levada para casa, para ser lavada pelos funcionários.
. Na desinfeção de áreas de isolamento e/ou em grandes espaços (cinemas, restaurantes, centros comerciais, cantinas, escolas, entre outros) onde se supõe limpeza e desinfeção das superfícies de áreas comuns Na limpeza e desinfeção das superfícies de áreas comuns deve seguir as seguintes indicações:
• Preparar a solução de lixívia (hipoclorito de sódio) com concentração original de 5% ou mais de cloro livre. A lixívia deve ser diluída na altura de utilizar. A solução diluída deve ser a 0,1%, na proporção de 1 parte de lixívia para 99 partes iguais de água (Consulte o Anexo I).
• Lavar primeiro as superfícies com água e detergente. • Em seguida, espalhar uniformemente a solução de lixívia nas superfícies.
• Deixar atuar a lixívia nas superfícies durante pelo menos 10 minutos – ler as instruções do fabricante/fornecedor. Essa etapa é fundamental. • De seguida enxaguar as superfícies só com água quente.
• Deixar secar ao ar.
Limpeza da sanita: − Parte interior: limpar o interior da sanita apenas com o piaçaba: o Se houver urina ou fezes, descarregar primeiro o autoclismo;
Não deitar lixívia ou produto com amoníaco sobre a urina, porque provoca uma reação gasosa nociva para a saúde.
. Aplicar o produto detergente com base desinfetante; deixar atuar durante pelo menos 5 minutos; o Esfregar bem por dentro com o piaçaba.
. Puxar o autoclismo com o piaçaba ainda dentro da sanita para que este também fique limpo.
. Volte a puxar a água. − Parte exterior da sanita: o Espalhar o detergente/desinfetante na parte de cima da sanita e sobre os tampos; o Esfregar com o pano: primeiro os tampos e só depois, a parte exterior da sanita (em cima e nos lados).
. Passar com pano só com água; o Deixar secar ao ar; o Limpar e desinfetar bem o botão do autoclismo. Pode desinfetar também com álcool a 70º-80º.
• No final da limpeza, deve voltar a passar um pano humedecido em desinfetante em todas as torneiras. • Não esquecer de limpar frequentemente as maçanetas das portas das casas de banho.
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