“Nós, Cidadãos!” quer que Governo Regional analise stress e “burnout” dos professores

O partido NÓS, Cidadãos! pediu um estudo ao Governo Regional sobre os níveis de stress e ‘burnout’ na classe docente. No final do ano lectivo passado existiam cerca de 201 professores de baixa médica na RAM. “Hoje, depois de termos tido conhecimento de um conjunto alargado de novos casos – e em várias escolas – (e por diversas razões/motivos) estamos seguros que estes números são bem superiores, sobretudo devido ao aumento dos atestados por doença prolongada e do foro psicológico-psiquiátrico, e o sistema não está a conseguir responder nem a garantir/assegurar as aulas a todas as disciplinas, aos alunos das nossas escolas”, assegura o partido.
Em 2016, um estudo realizado com cerca de mil professores de escolas nacionais revelou que 30% dos docentes estavam em “burnout”, ou seja, exaustos emocionalmente e sem qualquer sentimento de realização profissional. Durante três anos (de 2010 a 2013), um conjunto de investigadores do Instituto Superior de Psicologia Aplicada (ISPA) inquiriu docentes que davam aulas no 2.º e 3.º ciclos, mas também no ensino secundário.
O objectivo foi perceber se existiam muitos docentes em stress ou burnout e, no final, descobriram que 30% dos professores estavam nessa situação, que na altura já representava uma percentagem acima dos números habituais registados noutros países, que rondavam entre os 15 e os 25%.

Contudo, em 2018, uma equipa liderada pela investigadora Raquel Varela, da Universidade Nova, a pedido da Federação Nacional de Professores (Fenprof), com o objectivo de ter dados nacionais sobre o desgaste da profissão docente, revelou que o número aumentou significativamente e que mais de 60% dos professores portugueses sofrem de exaustão emocional, provocada por causas como a excessiva burocracia e a indisciplina dos alunos.
Este estudo nacional teve por base mais de 15 mil respostas de docentes, sendo que mais de 65 mil professores revelaram “níveis preocupantes de exaustão emocional”.
Segundo a investigadora Raquel Varela, “a exaustão emocional apresenta valores elevadíssimos” – (burnout) – entre a classe dos professores, e os docentes mais velhos são os que mais sofrem de exaustão, com forte incidência nos profissionais com mais de 55
anos, é originada por diversas causas: vão desde a extensão do horário de trabalho, a indisciplina dos alunos, a “intensa falta de autonomia, a pouca influência nos currículos e na gestão da escola”, passando pela intensificação das tarefas burocráticas dentro do horário de trabalho, até à despersonalização e diminuição da realização pessoal e profissional.

O NÓS, Cidadãos!, depois de ouvir alguns professores da RAM, acrescenta ainda a estas causas/factores, a multiplicação de reuniões (por vezes redundantes e pouco produtivas), o acréscimo de trabalho/actividades extracurriculares, o insuficiente tempo para o exercício do cargo de director de turma e contacto com os encarregados de educação, o elevado número de níveis que alguns professores leccionam, o excessivo número de turmas e alunos atribuídos, a extensão dos programas, mas também a “pressão” para exibir sucesso educativo, e a que hoje se acrescenta a ‘coação’ para substituir colegas que estão de baixa médica ou licença de parentalidade em cima do seu horário, não esquecendo o modelo de avaliação docente, cuja sua fase mais importante recai sobre final do ano lectivo e a preparação dos alunos para os exames nacionais.