O Discurso Certo


Quem prestou atenção ao discurso de Rui Rio no encerramento do Congresso do PSD, deve concordar que o dirigente apontou o caminho certo para ganhar as próximas eleições.
A Democracia é, com todas as limitações inerentes à obra humana, mesmo assim, a melhor forma de governação. Admito que não precisa de explicação adicional e que a maioria das pessoas concordará comigo.
Daí que, vivendo em regime democrático a caminho de quarenta e seis anos, poderíamos fazer um balanço muito mais positivo do que é hoje, efectivamente, possível sumarizar.
Isto porquê? Tem sobretudo a ver com a dimensão humana dos sucessivos políticos que nos governaram. Faltaram-nos estadistas neste curto período histórico democrático para podermos estar muito melhor, mesmo com os recursos que pudemos dispor.
Os grandes políticos, com visão de estadista, vieram no início do período democrático. Foi insuficiente. E no decurso destes escassos quarenta e seis anos já tivemos de tudo, mas numa escalada descendente.
As consequências desta caminhada apequenada podem ser sumarizadas nos seguintes corolários:
-Os mais capazes e preparados, com sentido de missão e socialmente formados, afastaram-se gradualmente da esfera política, desagradados e conscientes de que não seriam capazes de, por razões exógenas, mudar o sentido da história política portuguesa;
-O sentido do voto começou gradualmente a mudar e com essa transformação deu expressão a tendências extremistas, quer à Direita como à Esquerda.
Aqui chegados podemos regressar ao início, ao discurso de Rui Rio. O dirigente já mostrou que, tecnicamente, está bem preparado. Falta-lhe mais e melhor comunicação. Mas é rigoroso e pretende sobrelevar o interesse colectivo. Por falar de rigor basta recordar o que se passou recentemente no PSD Madeira com as directas.
Colocar a pessoa no centro da política, governar com sentido de Estado é o que mais importa aos portugueses.
Podemos ser realmente um país com relevo, mais uma vez, na Europa e no Mundo, se aplicarmos os nossos recursos no sentido do desenvolvimento humano, em cada um e em todo o momento. Mas primeiro temos de acabar com os quadrilheiros na política.
Rui Rio pode realmente vencer. Centrou o seu discurso, onde realmente habita a classe média. E precisamos de uma classe média forte para combater os extremismos. Aliás, não existe outro caminho em Democracia.