BE critica apoios do GR aos carros eléctricos como “brinquedos caros para meninos ricos”

O Bloco de Esquerda veio hoje criticar, pela voz de Paulino Ascensão, o apoio à compra de carros eléctricos para uso particular, num milhão de euros, por parte do Governo Regional. “(…) é uma ajuda à compra de brinquedos caros por meninos ricos, não vai resolver nenhum problema ambiental e muito menos do congestionamento do trânsito e da ocupação do espaço útil da cidade”, diz o dirigente. “Esse valor deve ser antes canalizado para investimento nos transportes públicos colectivos”.

O BE questiona as vantagens da substituição de veículos a combustão por eléctricos do ponto de vista ambiental, levando em consideração o ciclo de fabrico das viaturas e dos componentes, em especial as baterias. “Esses danos da exploração e transformação do lítio não nos afectam? Sim afectam, não há como escapar às consequências da degradação ambiental e do aquecimento à escala global, onde quer que sejam praticados os actos danosos”, apontam os bloquistas.

Os mesmos malefícios de uma mobilidade baseada no transporte individual persistem com a substituição por eléctricos. O transporte colectivo é a alternativa que inequivocamente ataca todos estes problemas, favorecendo as camadas mais pobres que não têm alternativa de mobilidade, pois não ganham para pagar um carro, reza o comunicado do Bloco, que admite o interesse de introduzir veículos ligeiros eléctricos cujo uso é interesse público, como táxis, ou na criação de novos modos de mobilidade como a partilha de automóveis, bicicletas ou trotinetes, como já acontece em muitas cidades pelo mundo.

“Quem vai beneficiar com o programa? As famílias mais ricas e os concessionários que vendem os veículos eléctricos”, conclui Paulino Ascensão, que cita números da ACIF para dizer que nos últimos quatro anos, menos de 13.000 viaturas ligeiras foram vendidas na Madeira, para um total de 137.000 viaturas em circulação – menos de 10% das viaturas em circulação podem considerar-se novas (menos de 4 anos).
“A esmagadora maioria das famílias madeirenses não tem capacidade financeira para comprar uma viatura nova, muito menos uma eléctrica, que custa cerca de 30.000 euros”, recorda.

 


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