JPP propõe no parlamento madeirense voto de louvor a Lourdes Castro

O partido “Juntos pelo Povo” deu entrada, na Assembleia Legislativa da Madeira, com um voto de louvor à artista plástica portuguesa Lourdes Castro, nascida em 1930 na Madeira. “Cidadã do mundo, destacou-se no panorama da arte portuguesa, sendo hoje uma das mais respeitadas e interessantes pintoras portuguesas vivas e uma artista de carácter internacional”, refere uma nota.

Frequentou o curso de Pintura na Escola de Belas-Artes de Lisboa (1950-1956). A paisagem natural da ilha que a rodeou desde pequena é uma paixão que acompanhará a sua vida e por consequência também o seu trabalho, de que é exemplo o seu aclamado trabalho do Grande Herbário das Sombras, que se debruça sobre o rico património botânico da ilha, prossegue o comunicado.

Radicada em Paris desde 1958, regressou à ilha da Madeira em 1983, onde reside, primeiramente da Quinta do Monte, Funchal e, a partir de 1988, no Caniço. Entre 1958 e 1962, juntamente com René Bertholo, foi fundadora do grupo KWY, a que se associaram Christo, Jan Voss, João Vieira, José Escada, Gonçalo Duarte e Costa Pinheiro. As três letras, que não existiam no alfabeto português, expressavam com ironia a necessidade da exploração artística que num Portugal culturalmente amorfo não se desenvolvia.

No princípio da década de 1960 coleccona objectos quotidianos em assemblages, cobertos de cor prata, para, em seguida, passar a registar apenas a sua sombra. A partir de 1963 Lourdes de Castro começa a introduzir a cor no seu trabalho: uma cor uniforme – o vermelho, o azul ou o verde, por exemplo. Estas pesquisas sobre sombras e contornos entendem-se progressivamente da serigrafia à tela, aos plexiglas, aos lençóis de linho, evoluindo as iniciais formas recortadas e pintadas para sombras deitada que
culminam nas sombras em movimento; ou teatro de sombras (1973).

Conhece Manuel Zimbro em 1972. Essa parceria na vida e na arte, que duraria mais de três décadas, é evocada e celebrada na exposição de carácter antológico: Lourdes de Castro e Manuel Zimbro: a Luz da Sombra, realizada no Museu de Arte Contemporânea de Serralves, em 2010. No início dos anos 90 produz também em tapeçaria e azulejo. Participou em numerosas exposições internacionais de pintura, de livros de artista e de Mail Art.

A Fundação Calouste Gulbenkian dedicara-lhe, em 1992, uma retrospectiva – Além da Sombra. É também de destacar a instalação que a artista realizou com Francisco Tropa, no âmbito da representação portuguesa na Bienal de São Paulo de 1998. Em 2004 Lourdes Castro foi reconhecida com o Prémio CELPA / Vieira da Silva – Artes Plásticas Consagração. Com Francisco Castro Rodrigues foi distinguida na edição de 2010 dos prémios da Secção Portuguesa (SP) da Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA). Está
representada nos principais museus nacionais e da Europa.

Na Madeira, expôs na Galeria Porta 33 e está representada, por exemplo, no Mudas, Museu de Arte Contemporânea da Madeira, na Casa Museu Frederico de Freitas ou no Hotel Casino da Madeira, entre outros locais. Actualmente é considerada uma das mais respeitadas e interessantes pintoras portuguesas vivas e uma artista de carácter internacional.


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