

“Não deixa de ter graça o servilismo a que este PS local chega, nesta tentativa encomendada para pressionar ou influenciar o voto do PSD/Madeira no Orçamento de Estado”, esta foi uma declaração do secretário-geral do PSD-Madeira, na sua página pessoal da rede social Facebook, assumindo um posicionamento crítico relativamente a declarações provenientes da área socialista madeirense.
“Cansa este agachar de quem nada faz e apenas se limita a critica por criticar”, escreve José Prada. “Então o PS local criticava a postura de combate, prometendo diálogo e concertação com António Costa – se chegassem ao tal poder que ficaram a ver ao longe, mesmo tentando desesperadamente a geringonça na Madeira – e agora criticam que exista esse mesmo diálogo e concertação?”
As redes sociais são, hoje por hoje, um palco privilegiado de debate relativamente à atividade política, sendo que os secretários-gerais dos dois principais partidos na Região, PSD e PS, têm assumido posições ativas na disputa de argumentos, de que a votação no Orçamento de Estado assumiu grandes proporções.
Prada questiona: “Então é o PSD/Madeira que faz Bluff quando foi o PS que garantiu, ao lado de António Costa e, veja-se, apenas para ganhar as eleições a qualquer custo, que, entre outras promessas, haveria ferry para todo o ano? Então os que prometiam mundos e fundos para ganhar o “3 em 1” são, agora, os primeiros a acusar os que realmente se preocupam em resolver os problemas da Madeira e em assegurar que as nossas reivindicações sejam tidas em conta? Afinal quem é que mente e quem é que mentiu, sempre, aos Madeirenses?! Quem é que prefere atacar o PSD/Madeira e perder tempo com conversas sem qualquer nexo, em vez de canalizar as suas energias para pressionar o Governo da República, que é socialista, a fazer o melhor pela Madeira?”
Prada continua o desabafo e deixa a mensagem de que “ao contrário desta gente, nós não estamos preocupados em fazer demagogia nem em medir forças quanto ao nosso sentido de voto. Votaremos em consciência e sempre, incondicionalmente, a favor da Madeira e de todo o povo madeirense, colocando os interesses da Região em primeiro lugar conforme, aliás, sempre o fizemos. É graças ao PSD/Madeira que alguns dos compromissos assumidos por António Costa, nomeadamente o do financiamento para o novo Hospital, foram plasmados no presente Orçamento e é em nome dos restantes que continuaremos a lutar.”
Um dia depois deste post de José Prada e num momento em que na Assembleia da República ocorre o debate sobre o Orçamento de Estado para 2020, que se sabe ter aprovação garantida com a abstenção do PCP e do Bloco quando amanhã tiver lugar a votação, na generalidade, é João Pedro Vieira, o secretário-geral do PS-Madeira, quem publica, também através da sua página pessoal do Facebook, uma posição que aponta “baterias” para o PSD-Madeira, sobre as internas social democratas e sobre a posição “laranja” relativamente ao Orçamento de Estado.
João Pedro Vieira considera que “o radicalismo discursivo do PSD-Madeira não leva a mais Autonomia, leva ao isolamento absoluto. Se dúvidas existissem, há três situações que o comprovam liminarmente:
1. Nas eleições internas, os votos dos seus militantes, incluindo os de Albuquerque e Calado, não contarão e a proclamada Autonomia funcional do PSD-Madeira redundará em zero;
2. Na discussão do Orçamento de Estado, com os posicionamentos assumidos pelos restantes partidos, a proclamada Autonomia dos deputados eleitos pelo PSD-Madeira redundará em zero;
3. E na gestão municipal, a Autonomia do Governo Regional, totalmente isolado na interpretação de normas como as relativas ao IRS e ao IVA, redundará em zero – competências e financiamento para as autarquias locais.”
O secretário geral socialista madeirense questiona e dá a resposta: “Ao que nos leva, afinal, a gritaria pseudo-autonomista do PSD-Madeira? A nada, a absolutamente nada”. E escreve que “o que tudo isto comprova é que a Autonomia não se aprofundará com falsa divergência discursiva, mas sim com verdadeira convergência – proactiva e construtiva”.
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