Parte do teto do edifício Casais da Quinta cai em corredor de passagem, relatório revela deficiências e moradores temem o pior

Casais da Quinta pedras
A imagem possível da queda de parte do teto do quinto andar do edifício Casais da Quinta, na Cancela, incidente ocorrido no final da noite de ontem, terça-feira.
Casais da Quinta C
O edifício, segundo relatório do LREC, tem falhas de construção.

Não é novidade que o edifício Casais da Quinta, na Cancela, sofre de problemas de construção, o que já motivou um relatório do Laboratório Regional de Engenharia Civil (LREC) a pedido da Câmara Municipal de Santa Cruz, sem que daí resultasse qualquer intervenção. Já no final da noite de ontem, terça-feira, partes do teto cairam para uma zona de passagem do quinto andar do prédio, precipitando-se também para o jardim numa zona interior.

O facto deste novo incidente ter ocorrido a esta hora, de pouco movimento, impediu maiores consequências, uma vez que nesse momento não passava qualquer pessoa, sendo que os moradores queixam-se de não ter havido qualquer decisão, por parte das entidades, relativamente ao comprovado estado do edifício e à necessidade de uma intervenção que deve ser desenvolvida em articulação, uma vez que está em causa a segurança dos moradores.

Vários relatos dão conta que estes episódios de queda de pedaços de muros e tetos têm sido recorrentes, felizmente sempre sem causar vítimas, mas trata-se de uma situação que é de tal modo potencialmente perigosa que, a qualquer momento, pode provocar um desfecho bem mais grave.

Recorde-se que, em abril de 2018, o Funchal Notícias dava conta do resultado do relatório solicitado pela Autarquia de Santa Cruz e remetido à Investimentos Habitacionais da Madeira, onde se dava conta que aquele edifício Casais da Quinta tinha sido construído com menos pilares, relativamente ao que constava do projeto. As fissuras são visíveis e o problema já é do conhecimento das entidades com competência na matéria.

O relatório refere claramente que foi feito um levantamento à estrutura resistente, “sendo diferente da existente na Câmara de Santa Cruz. As alterações foram a diminuição do número de pilares e a modificação da secção de vigas, com o incremento na altura da secção destas”.

O FN referia na altura que o relatório do LREC tinha sido então enviado à Investimentos Habitacionais, que “patrocinou” a construção do edifício, a custos controlados, ao condomínio e a todos os proprietários das fracções “a fim de serem executadas as obras de conservação nos termos das recomendações do LREC”. O edifício é designado por quatro blocos, tem 11 frações de comércio e 112 frações habitacionais. Tem seis pisos, sendo um de estacionamento, um destinado ao comércio e também estacionamento e os restantes a habitação, com licença de utilização de 2005.

O mesmo relatório já apontava para a necessidade de se “registar uma observação ao longo do tempo, aos elementos resistentes da estrutura do edifício, com particular incidência dos elementos resistentes do primeiro piso, ou seja do teto localizado sobre os estacionamentos”.

O LREC concluiu que “a causa  das fissuras nas paredes aponta para as deformações dos elementos de suporte das mesmas, ou seja lajes e vigas”. Diz ainda o LREC que “devido ao tempo decorrido desde a sua construção, estas deformações estão estabilizadas atendendo à idade do betão, pelo que recomenda-se que seja efetuado o tratamento das fissuras existentes em todas as fracções habitacionais incluindo as fissuras das paredes dos alçados, nomeadamente o alçado sul que apresenta sinais de infiltrações”.