Nuno Neves foi eleito a 6 de novembro, presidente do Conselho Regional da Madeira da Ordem dos Enfermeiros. Sucede a Élvio Jesus e a tomada de posse acontece a 21 de dezembro.
Em entrevista ao Funchal Notícias, diz que é essencial a contratação de mais enfermeiros para minorar a sobrecarga e exaustão dos profissionais e diz-se em sintonia institucional com a bastonária Ana Rita Cavaco.
Ambições políticas? “Certo e irrevogável, só o fim da vida”, responde Nuno Neves.
Funchal Notícias: Foi eleito recentemente pelos seus pares com perto de 70% dos votos, como comenta esse voto de confiança?
Nuno Neves: Foi efetivamente um resultado muito expressivo e que muito nos honra. É como diz um grande voto de confiança, o que faz aumentar ainda mais a nossa responsabilidade para com a profissão e os nossos pares. Esta votação demonstra que os colegas acreditaram no nosso projeto e na equipa de pessoas que apresentamos, que se disponibilizaram a assumir esta missão de representar a profissão e defender a saúde dos cidadãos nos próximos 4 anos.
FN: O facto de ter sido interino no Conselho Diretivo Regional após a saída de Élvio Jesus ajudou à eleição?
NN: Não creio que ter assumido a Presidência do Conselho Diretivo Regional, apenas pouco mais de 1 mês antes das eleições de 6 de novembro, tenha tido algum impacto eleitoral. Acredito sim que o resultado destas eleições é também reflexo da avaliação que os colegas fizeram do trabalho desenvolvido no atual mandato da Ordem dos Enfermeiros na Madeira, que sentimos como positivo, e do qual uma parte desses elementos transita para a nova equipa agora eleita.
FN: O facto de ser uma lista não conotada com listas nacionais ajudou?
NN: Esta foi uma candidatura regional, independente das listas nacionais, mas não contra as demais. Assumimos como uma mais-valia termos um projeto regional, pois consideramos poder assim responder de forma mais ajustada à realidade e necessidades do exercício da profissão num meio insular como o nosso. Estamos numa Região Autónoma, com um Governo próprio, Legislação própria e um Sistema Regional de Saúde, que difere do todo nacional e com muitas especificidades no que à insularidade diz respeito. A grande participação e escolha dos Enfermeiros da Madeira foi inequívoca e sem margem para dúvidas. Elegeram a Lista C para os Órgãos Regionais com 69,74% dos votos e a Lista A para os Órgãos Nacionais com 62,38%. Ambas as listas foram eleitas de forma expressiva para os diferentes Órgãos, pelo que cabe agora a todos os intervenientes respeitar esse voto de confiança que lhes foi conferido e desenvolverem um profícuo trabalho conjunto ao longo dos próximos 4 anos.
FN: Qual o seu relacionamento com a Bastonária Ana Rita Cavaco?
NN: Estamos frequentemente em contacto, quer em reuniões de Conselho Diretivo, quer por outros meios de comunicação e temos um relacionamento de grande cordialidade e trabalho conjunto. Sempre afirmamos, mesmo durante a campanha, o claro compromisso de cooperação com os órgãos nacionais eleitos e não poderá ser de outra forma. Há apenas uma única Ordem dos Enfermeiros, da qual todos fazemos parte integrante.
FN: Quais são os principais desafios da enfermagem na Madeira?
NN: Ainda recentemente passamos pela quase totalidade dos Serviços de Saúde da Região, onde obtivemos um importante pulsar da profissão. As reivindicações mais apontadas reportam à questão da sobrecarga e exaustão dos profissionais, pela lotação permanente dos serviços e necessidade de recorrentes turnos extraordinários para cobrir as necessidades básicas dos utentes. Uma reorganização dos serviços e maior contratação de enfermeiros é essencial para responder à crescente demanda de cuidados de saúde por parte da população e o cumprimento das dotações seguras. Sendo estas necessidades transversais a quase todos os sectores, preocupa-nos a questão dos Lares, locais por vezes mais “esquecidos” no que a necessidade de cuidados de enfermagem diz respeito numa população muito fragilizada e necessitada. Uma resposta de proximidade como se exige, requer um reforço do grupo profissional que mais permanentemente está na linha da frente das respostas em saúde. O desenvolvimento profissional é também uma área premente, numa profissão em que a formação contínua é essencial. Importa para isso que as Instituições possam criar as condições para que essa formação e desenvolvimento seja uma realidade. Os ganhos serão de todos os intervenientes.
FN: Sobre participação político-partidária é capaz de dizer “desta água não beberei”?
NN: Ninguém em tempo algum pode fazer tal afirmação, pois certo e irrevogável, só o fim da vida. Reafirmo que é com grande sentido de responsabilidade que assumimos esta missão de representar e regular a profissão no próximo mandato, e desta maneira defender uma melhor saúde para os cidadãos, sem quaisquer outros intuitos ou ambições sejam elas políticas, partidárias ou outras.
FN: Como se estancam as saídas de enfermeiros da Região?
NN: As necessidades de cuidados de saúde são crescentes e cada vez mais complexas, pelo que é essencial a contratação de enfermeiros, até porque, além da própria emigração, ocorrem anualmente inúmeras saídas por aposentação, que têm necessariamente de ser repostas. A não reter os profissionais que formamos, corremos o sério risco de virmos a necessitar desta força de trabalho qualificada e não a termos disponível, pois é por demais conhecida a valorização que os Enfermeiros portugueses encontram lá fora, situação que não sucede no próprio País. Este é cada vez mais um mundo global, pelo que os profissionais irão certamente para o local onde encontrarem as melhores condições. Além da contratação é essencial também oferecer condições de trabalho dignas, sejam elas para a melhor prestação de cuidados, ou de perspetivas de evolução e desenvolvimento profissional, através de uma carreira que a promova efetivamente.
FN: Há dois sindicatos de enfermagem, na Madeira, particularmente ativos. O cidadão comum sabe distinguir o papel da Ordem e dos Sindicatos?
NN: É comum nem sempre se distinguir o papel da Ordem e dos Sindicatos, pese embora essa atuação estar bem definida por lei. Na prática, as questões laborais e de carreiras, sendo da responsabilidade dos Sindicatos, têm sempre impacto no exercício da profissão e na qualidade dos cuidados, pelo que a Ordem dos Enfermeiros, enquanto Órgão regulador da profissão, não pode deixar de intervir, alertando para as consequências que daí advêm e reivindicar as melhores condições por forma a termos uma prática de cuidados segura.

FN: O seu slogan de campanha foi “Por uma enfermagem positiva”. Há outra forma de estar na enfermagem?
NN: A profissão de Enfermagem é algo sempre intrinsecamente positiva, pelo facto de toda a sua ação ser uma constante ajuda ao próximo, em momentos de particular vulnerabilidade e fragilidade. O lema “Por uma Enfermagem Positiva”, tem a ver com o facto de ambicionarmos a afirmação e valorização da profissão, o que passa por uma prática positiva e fortalecida, na busca de melhor desenvolvimento das competências técnicas, científicas, e humanas, em prol dos cuidados de qualidade, com o envolvimento e satisfação de todos: profissionais, cidadãos e Sistema de Saúde.
FN: A tomada de posse da sua equipa só acontece a 21 de Dezembro. Alguma razão especial para a demora?
NN: Questões regulamentares determinam que a tomada de posse deva ocorrer no mês de dezembro do último ano de Mandato, pese embora a nova equipa apenas iniciar funções a 1 de janeiro de 2020. A data de 21 de dezembro resulta da disponibilidade de agenda dos vários intervenientes, nomeadamente dos membros dos Órgãos Nacionais da Ordem que se deslocam à Madeira para a tomada de posse.
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