“Um dia talvez tentem levar-nos o edifício da Câmara – e aí diremos: exproprie-se tudo”, reage João Pedro Vieira ao caso “Placa Central”

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João Pedro Vieira veio a público, pela segunda vez, pronunciar-se sobre a decisão do Governo Regional de assumir, por interesse público, a “posse” da Placa Central desde hoje e até 31 de janeiro, o que lhe confere a possibilidade de organizar o Mercadinho de Natal colocando a Câmara do Funchal de parte.

O vereador da Autarquia funchalense, que é secretário geral do PS, escreveu hoje, na sua página da rede social Facebook, deixando a questão: “O que fica da Placa Central?”

João Pedro Vieira diz que “agora que o Governo Regional é, até 31 de Janeiro, literalmente o dono das chaves das casas de banho, a lição que fica é a de um Governo que, no princípio, meio e fim desta “novela”, que arrastou e precipitou para a praça pública, demonstrou ser liderado por prepotentes, sem regras e sem limites. Os “donos do evento”, que se realiza “quer queiram, quer não” – apesar de todos quererem -, como disseram Eduardo Jesus e Miguel Albuquerque, são, afinal, os donos disto tudo.

Desta vez, foi sobre barracas e casas de banho e a vítima foi a Câmara Municipal do Funchal; amanhã, pode ser qualquer cidadão. No final, é isso que fica, e entre a adaptação dos poemas de Saramago e de Brecht, não há poncha que apague o rasto de destruição institucional e do poder local. Um dia talvez tentem levar-nos o edifício da Câmara – e aí diremos: exproprie-se tudo, exproprie-se o mar e o céu, exproprie-se a água e o ar, exproprie-se a nuvem que passa; agora estão me levando, mas já é tarde”.

O vereador coloca, no seu post, sete pontos que pretendem historiar o que considera ter sido uma “novela”:

1. O Governo Regional oculta sucessivamente informação durante o processo de organização do “Mercadinho de Natal”, nomeadamente a intenção de extensão à Praça do Povo;

2. A Câmara Municipal recusa-se a autorizar a ocupação do espaço público, sem que lhe seja definitivamente prestada toda a informação;

3. O Governo Regional decide transferir toda a actividade para a Praça do Povo;

4. A Câmara Municipal decide organizar, por esse motivo, a actividade na Placa Central;

5. O Governo Regional volta atrás e decide manter a atividade na Placa Central;

6. A Câmara Municipal solicita reunião para ultrapassar todas as dificuldades existentes e encontrar uma solução definitiva;

7. O Governo Regional decide expropriar, temporariamente, sem motivo, o domínio público municipal.

 


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