Carlos Jardim disponível para avançar para a liderança do PS-Madeira

É um dos militantes dos PS-M que não alinha num suposto unanimismo do partido em torno de um homem só. Carlos Jardim foi apoiante de Carlos Pereira e, agora, instado por alguns militantes, está disponível para avançar com uma candidatura à liderança regional do partido.

Em entrevista ao Funchal Notícias disse que não acredita que o congresso do partido seja adiado, pesca o olho aos “militantes de anos”, não se compromete, para já, com o apoio a uma eventual candidatura de Miguel Silva Gouveia à Câmara do Funchal e elogia Liliana Rodrigues, quadro que o partido não pode descartar se quiser ganhar eleições.

FUNCHAL NOTÍCIAS: Tenciona candidatar-se à liderança do PS-M?

CARLOS JARDIM: Neste momento, o que posso dizer, é que estou disponível para uma candidatura à liderança do Partido Socialista – Madeira. Mais do que uma intenção é o sentir o apelo de militantes de base que se reveem nos princípios que defendo e que me expressaram essa vontade de que encabece uma candidatura ao PS –M. Mas mais do que uma vontade de liderar um partido, entendo que existe uma necessidade de colocar na discussão pública uma série de questões de fundo que afetam a nossa região, o nosso país e a nossa Europa. Este é um apelo que vai além dos partidos políticos mas que sentimos em todos os quadrantes da nossa sociedade. São as respostas concretas ao que queremos da Autonomia. Como a vamos desenhar para o século XXI. Como a vamos utilizar na definição das competências da Região e do Estado Central. E, desta reforma essencial da nossa organização política, definir o papel que queremos para a Educação, para o Estado Social, para a nossa estrutura Económica. O que queremos é a resposta essencial à questão de fundo: que Madeira queremos para a segunda metade do século XXI?

FN: Quem o acompanha nesse desafio?

CJ: Acompanhar-me-ão neste desafio todos os que entenderem. Sem contrapartidas nem ditames. Com a certeza apenas de que tempos de muito trabalho e empenho se avizinham para todos. Estou certo que, os que acreditam num Partido Socialista Madeira forte e com convicções alicerçadas na matriz ideológica do socialismo democrático e da social democracia, estarão com este projeto.

FN: É consabido que apoiou Carlos Pereira na última corrida eleitoral interna, é legítimo esperar agora o seu apoio?

CJ: Quando apoiei Carlos Pereira na última corrida eleitoral fí-lo por convicção. Não esperando qualquer tipo de contrapartida. Desta forma, não exijo qualquer tipo de apoio da parte dele. O que posso dizer é que Carlos Pereira é, sem dúvida, um elemento de grande valor técnico e político para o PS Madeira e, para o PS poder se afirmar como um Partido de Poder terá de contar com Carlos Pereira. Tal como terá de contar com muitos outros quadros que o partido tem.

FN: O que acha do eventual adiamento do congresso do PS-M?

CJ: Não acredito que venha a haver um adiamento do congresso do PS-M. A verdade é que os Estatutos são claros quanto à periodicidade dos congressos. Ora, se o PS quer mostrar à Região que está em condições de Governar tem de mostrar que também se sabe Governar e o cumprimento das regras que estabelece para si próprio é essencial nesse objetivo.

FN: As concelhias do PS estão mobilizadas ou nem por isso?

CJ: Como é natural, existem concelhias com maior poder de mobilização e outras com um poder de mobilização mais limitado. Mas é esse o trabalho que tem de ser feito, no imediato. Partir dos militantes de anos, dos que mais se têm dedicado ao partido nos últimos anos e trabalhar para apresentar as melhores candidaturas às eleições autárquicas de 2021.

FN: O que será um bom resultado para o PS-M nas Autárquicas de 2021?

CJ: Um bom resultado é apresentar ao eleitorado as melhores propostas e as candidaturas dos mais bem colocados para apresentá-las. Se isto acontecer sei que o PS pode ter um excelente resultado. Isso implica consolidar os resultados nas autarquias que já somos poder e conquistar outras autarquias. Com um partido forte e combativo a nível regional e com as concelhias e um trabalho dedicado no terreno, localidade a localidade, isto é possível.

FN: Miguel Silva Gouveia será um bom candidato ao Funchal em 2021?

CJ: Miguel Silva Gouveia desempenha as funções de Presidente da CMF desde há, sensivelmente, seis meses. É importante dar o devido espaço para que desempenhe o cargo de acordo com o seu entendimento. Quando chegar a altura certa, será feita essa avaliação e encontrada a forma de apresentar a melhor candidatura possível à Câmara Municipal do Funchal.

FN: Tem sido chamado a dar explicações sobre a FrenteMarFunchal desde que a deixou em Janeiro de 2018?

CJ: Em relação à Frente MarFunchal não fui chamado a dar explicações desde que terminei o mandato em Janeiro de 2018. Aliás, é público que apresentei propostas que entendi serem essenciais para a boa saúde institucional da Frente MarFunchal e que, caso não fossem acolhidas, eu não estaria disponível para continuar. Continuo a entender que estas medidas são vitais para esta empresa municipal.

FN: Acha que o PS-M fez justiça a Liliana Rodrigues?

CJ: Entendo que a Professora Liliana Rodrigues é um dos quadros imprescindíveis do PS Madeira. Além da experiência que ganhou em 5 anos de um excelente mandato no Parlamento Europeu é uma pessoa com um percurso académico assinalável, com uma competência reconhecida por todos os quadrantes. É alguém que manifesta a sua opinião de forma livre e descomplexada. Sem sombra de dúvida que, para o PS Madeira ganhar eleições, terá de contar com a sua participação.

FN: Como professor, como comenta o atual estado da Educação na Região?

CJ: Esta pergunta é o ponto de partida para outra entrevista. Para simplificar, acho que temos de ter a noção que temos três dimensões que terão de ser ajustadas para adequar o ensino às necessidades formativas que a atualidade exige. A primeira dimensão tem a ver com a classe docente. Se, nos termos atuais, a questão da carreira está serenada, a verdade é que é preciso uma reforma das condições de trabalho da classe docente. Dar uma nova atratividade à profissão, com progressões de carreira e perspetivas evolutivas. Simplificar o trabalho administrativo e melhorar as condições de trabalho para os docentes. A segunda dimensão tem a ver com o espaço de aprendizagem. Temos espaços de aprendizagem que foram construídos com uma determinada noção de escola e para um modelo de ensino determinado. Hoje as necessidades são outras. Os equipamentos para ajudar ao processo ensino-aprendizagem são outros e o nível de exigência é diferente. Então é preciso alterar a estrutura física da escola para poder acomodar estes novos desafios. A terceira dimensão é a mais importante. É a dimensão aluno. O centro do processo ensino-aprendizagem. É neste sentido que tem de ficar bem definido o que se pretende para o ensino na atualidade. Quais são os níveis de preparação que temos de definir para os futuros cidadãos. Quais as competências que têm de ser trabalhadas e adquiridas ao longo do percurso escolar. Muito haverá a dizer sobre o ensino, mas a génese da discussão terá de ser uma visão holística do sistema de ensino na formação da nossa sociedade. Um papel devidamente enquadrado e ajustado aos seus desafios. Não só do aluno como futuro profissional mas, mais importante, como cidadão de direito de uma sociedade, conhecedor dos seus direitos e das suas responsabilidades.