Deputada do CDS regressa ao Parlamento e Mário Pereira está na porta de saída

filomena e mário
Mário Pereira e Filomena Gonçalves lado a lado numa pausa de um período de formação para “conhecer os melhores exemplos de gestão clínica do País”

O médico Mário Pereira não vai continuar como deputado no Parlamento Regional. Ana Cristina Santos, um dos três eleitos centristas nas últimas regionais, a par de José Manuel Rodrigues e Rui Barreto, deve regressar depois de um pedido de suspensão por 30 dias.

De acordo com o que o FN conseguiu apurar, a deputada do CDS tinha suspendido o mandato para integrar a equipa de Gonçalo Pimenta na empresa Madeira Parques, situação que entretanto foi alterada por razões estratégicas do partido liderado por Rui Barreto, que assumiu a pasta da Economia neste Governo Regional de Coligação.

Esta alteração estratégica, envolvendo o posicionamento do CDS na Assembleia, onde sendo Governo dificilmente poderá assumir posições críticas para com a governação, vai ao encontro de uma ideia já anteriormente pensada no sentido de “encaminhar” Mário Pereira para o SESARAM, sendo que a sua presença no Parlamento, até pelos antecedentes e pela exposição que teve relativamente à secretaria da Saúde e à política do Serviço Regional de Saúde, poderia de algum modo causar desconforto no relacionamento PSD/CDS.

Sendo assim, a fórmula encontrada foi promover o regresso da deputada, no final do período de 30 dias, tendo como consequência a saída de Mário Pereira, resolvendo-se assim um dos pontos que ainda não estava totalmente clarificado entre os partidos que sustentam a governação.

A participação de Mário Pereira no SESARAM, a acontecer, não é uma situação inesperada. O Funchal Notícias já deu conta, recentemente, que o médico esteve numa formação ao lado de Filomena Gonçalves, a médica escolhida para ocupar o lugar de diretora clínica e que já não fazia parte dos quadros do Serviço de Saúde, uma situação que vem ceiando algum descontentamento interno e que pode mesmo ter maiores consequências. Mário Pereira, na altura, disse que o objetivo desta “formação”, era mesmo “conhecer os melhores exemplos de gestão clínica do País”.

A crispação entre Mário Pereira e Pedro Ramos, o secretário da Saúde, que já vem da governação anterior, foi de tal forma marcante que é dificil resolver num acordo de coligação, embora o médico do CDS, no recente debate do Programa de Governo, tenha assumido uma posição bem diferente ao optar por críticas ao Governo da República relativamente ao financiamento do Estado para as obras do novo Hospital, o que se justifica pela necessidade de, num contexto de aliança, ter uma postura mais virada para um começar começar de novo, mais do que olhar para o passado entre os dois partidos.