A utilização de canabinóides na medicina veterinária

O cânhamo (Cannabis sativa l.) é uma das plantas medicinais mais antigas e conhecidas. Esta contém, dependendo da variedade e do cultivo, cerca de 80 dos chamados canabinóides. Além do delta-9-tetrahidrocanabinol (THC) psicoativo, o canabidiol (CBD) é o canabinoide mais conhecido e melhor estudado. O CBD não é viciante e não tem efeitos alucinogénios e psicoativos. A OMS em 2018 afirmou “não há registo de problemas de saúde pública com o uso de CBD”. Sabemos ainda que o CBD tem efeito anti-inflamatório, anticonvulsivo, relaxante muscular, redutor de ansiedade e protetor celular. O CBD é uma substância ativa natural da planta do cânhamo que possui propriedades terapêuticas e mecanismos de ação benéficos, aumentando a regulação da homeostasia dos sistemas nervoso, hormonal e imunológico, que são importantes para o comportamento e as sensações da dor.

O extrato de cânhamo natural tem poderosas funções antioxidantes, anti-inflamatórias e de proteção celular, para promover a saúde geral e combater o processo de envelhecimento em todo o corpo. A eficácia do CBD tem sido demonstrada especialmente na ciência comportamental de idosos e no controlo de dor. O CBD não tem efeitos intoxicantes, não causando por isso toxicodependência e tem um excelente perfil de tolerabilidade e segurança. Os carabinóides são mensageiros naturais. São produzidos pelo próprio corpo e atuam nos chamados recetores CB1 e CB2 do sistema endocarabinoide. O sistema endocarabinoide regula funções básicas como apetite, sono, temperatura corporal, memória, aprendizagem, humor, dor e inflamação. Todos os mamíferos, incluindo os nossos cães e gatos têm um sistema endocarabinoide.

A função mais importante do sistema endocarabinoide é manter o equilíbrio interno. Com doenças crónicas, o mau funcionamento deste sistema desempenha um papel central. A falta de canabidiol (específico do corpo) pode causar inúmeras doenças. Dar canabidiol (exógeno) pode apoiar o sistema endocarabinoide. O canabidiol promove o bem-estar do animal, apoiando o sistema imunológico, as defesas naturais e um comportamento equilibrado, e isso leva a um amplo campo de possíveis usos do canabidiol em animais de estimação. Já existe no mercado português um produto veterinário com óleo de cânhamo. vitaminas do complexo B e ácidos gordos.

Na Clínica Veterinária Santa Teresinha usamos este produto há 4-5 meses e temos tido bastante sucesso principalmente no controlo de dor de animais com doenças crónicas.

– Animais com osteoartrite em que não queremos que haja uma sobrecarga orgânica medicamentosa, o CBD desempenha um papel importante na analgesia.
– Doentes renais para controlo de dor e do apetite.
– Gatos com leucemia. – Gatos com linfomas.
– Animais epiléticos, no controlo da frequência de convulsões e no controlo da dose de anti-convulsivos, pois muitos anti-inconvulsivos provocam toxicodependência e são hepatitóxicos.
– Cães com disfunção cognitiva.
– Animais com vitalidade reduzida.
– Animais obesos em que queremos fazer o controlo do apetite e do humor, claro que fazendo uma alimentação adequada.

Temos utilizado o CBD apenas como coadjuvante de tratamentos medicamentosos, exceto no controlo de dor, em que dependendo do caso, por vezes alternamos com tratamentos medicamentosos. Confesso que, infelizmente, não é com todos os tutores que consigo ter esta abertura e prescrever o óleo de cânhamo. Muitos outros já vão conhecendo os benefícios do CBD, também graças à comunicação social, e mostram-se bastante recetivos na introdução da terapêutica. Até hoje não tive ninguém que se recusasse. Utilizamos o CBD pelos seus efeitos terapêuticos e pela ausência de efeitos alucinogénios e psicoativos. A OMS em 2018 afirmou “não há registo de problemas de saúde pública com o uso de CBD”. Sabemos ainda que o CBD tem efeito anti-inflamatório, anticonvulsivo, relaxante muscular, redutor de ansiedade e protetor celular.

*Médica na Clínica Veterinária Santa Teresinha