PS exige o dobro de fundos comunitários para a Madeira

Carlos Pereira, deputado do PS eleito pela Madeira na Assembleia da República, quer a Região a receber o dobro dos fundos comunitários previstos no novo quadro de apoio, ou seja, 700 milhões de euros em vez dos 400 previstos.

A exigência foi feita ao ministro do Planeamento, Nelson de Sousa, hoje em Lisboa, numa reunião onde apresentou os factos que provam a justiça desta exigência.  “Não aceitamos outro cenário que não o crescimento substancial dos fundos”, afirmou o cabeça de lista socialista madeirense às eleições de 6 de outubro.

“O que acontece é que a Madeira foi a região da Europa que mais caiu no que toca a riqueza, passando de zona com riqueza superior à média europeia a dois níveis abaixo, ou seja inferior a 75% da média da União”, explicou Carlos Pereira, que se fez acompanhar de Olavo Câmara e Marta Freitas, candidatos do PS às legislativas nacionais, na reunião com o governante.  Tal aconteceu, clarificou, principalmente devido à forma de cálculo do PIB do Eurostat, que deixou de contar em 2004 com um conjunto de receita da Zona Franca que empolava ficticiamente o Produto Interno Bruto (PIB) da Região, mas também devido a quebra do crescimento que é responsabilidade das opções do Governo Regional. “Nunca percebi por que razão a Região nunca teve um combate mais firme no sentido de defender que o PIB estava desfasado da realidade porque continha um conjunto de imputações anómalas que empolavam esse mesmo produto”, assinalou, revelando que o PS há anos que o vem denunciando.

Mas se é certo que a Madeira pouco ou nada poderá fazer quanto ao passado, pode agora fazer quanto ao futuro. “Naturalmente que a expectativa é que a Madeira receba da Europa no horizonte 20-30 aquilo que lhe é devido, aproximando-se aliás dos Açores, que recebem quase o dobro com um nível de desenvolvimento muito semelhante”, contabilizou. “E foi isso que viemos cá fazer”, frisou, lamentando a inércia do Governo Regional nesta matéria, que nem sequer reuniu ainda com o Governo da República para discutir o assunto. “Numa altura em que tudo se decide o silêncio do Governo Regional prejudica a Madeira”, apontou. “O tema devia estar no topo das prioridades, estamos a falar de verbas cruciais e determinantes para o futuro da Região”, defendeu ainda Carlos Pereira, classificando como “muito positiva” a reunião de trabalho com Nelson Souza.