Será que os candidatos perderam o charme?

As campanhas eleitorais são jogos difíceis de sedução. É preciso charme político e, sejamos francos, nem todos o têm. O charme do político não passa pelos assessores, nem sequer pelos criativos que vêm do exterior ensinar o pobre ilhéu a pensar fora da caixa e muito menos pelas promessas fáceis atiradas ao coração dos incautos. Então, onde começa este charme? Começa, desde logo, pela boa educação. No preciso momento em que um candidato a governante se cruza com o povo e, em vez do ar nauseado e pendurado subitamente ao telemóvel para não perder tempo com as suas misérias, lhe dá o rosto, o escuta com o coração e lhe dá a mão. São Paulo, que não trabalhava para as eleições mas para a salvação da humanidade, (eu sei, tudo isso é baboseirada e está fora de moda) dizia: “Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, sou como um bronze que soa ou um címbalo que retine. Ainda que eu tenha o dom da profecia e conheça todos os mistérios e toda a ciência, ainda que eu tenha tão grande fé que transporte montanhas, se não tiver amor, nada sou”( 1 Coríntios).

Eu também sei que cada candidato não precisa de Deus, justamente porque se julga um deus. Também dispensa a salvação divina, porque todos os dias se salva a si próprio e aos seus. É igualmente certo que os conhecidos e os muitos desconhecidos candidatos, que aparecem agora a dividir, fazem muito ruído e depois se evaporam no espaço. Mas, no dia seguinte ao das eleições, no fio dos dias da maratona da governação, serão os eleitos chamados a mostrar que têm charme ou verão o poder esvair-se implacavelmente das mãos.

Na Madeira, os políticos estão todos na estrada até esta sexta feira. O trabalho de bastidores tem sido certamente intenso. Mas, desculpem-me os senhores candidatos, alguns fazem-se pouco notar. Ou porque não precisam de se fazer notar porque já são demasiado notáveis, talvez porque as agências de comunicação do Continente que zelam pela sua imagem esgotaram o histórico de criatividade e rebatem as mesmas charadas, ou porque isto já está ganho. Vai daí que os registos de campanha esmorecem  sem um golpe de asa que faça os jovens e adultos comentar, sorrir ou sequer chorar… É marcar o ponto para o retrato na comunicação social, dizer umas palavrinhas ao eleitorado e está feito! É este o cardápio do namoro até à boda, que será certamente a união entre Deus e o Diabo, desde que viabilize o poder. Passar um dia com os pobres (não minutos mas um dia), um fim de semana com os idosos abandonados nos lares, sentar-se nos bancos das instituições horas e horas para as conhecer por dentro, dará certamente muito trabalho e não renderá logo votos. Mas há muito que fazer quando se leva a vida a sério. Terão os nossos candidatos perdido o charme?