Organização do “Madeira Pride” apela a doações da população para fazer face a despesas

A organização do “Madeira Pride”, evento que pretende esbater preconceitos contra a comunidade lésbica, gay, bissexual, trans e intersexo, apela às doações de dinheiro por parte da população para conseguir fazer avançar o evento este ano. “Cada gesto faz diferença, qualquer valor é importante e uma grande ajuda para a Madeira a recuperar os anos perdidos e a pôr a região na vanguarda dos direitos LGBTI”, dizem os responsáveis, que salientam que o apoio pode ser feito através do endereço electrónico bit.ly/madeirapridefund

“Há três anos, um conjunto de associações promotoras dos Direitos Humanos, na Madeira e no Porto Santo, uniram-se para quebrar um ciclo histórico e cultural de preconceito, com estereótipos enraizados e discriminação social, política e institucional”, recorda um comunicado. “Desta forma, a 7 de Outubro de 2017, a comunidade lésbica, gay, bissexual, trans e intersexo saiu do armário e, nas ruas do Funchal, mais de 300 pessoas ecoaram as suas vozes contra a homofobia, bifobia e transfobia na 1.ª Marcha do Orgulho LGBTI+ da Madeira, reivindicando os seus direitos e escancarando a sociedade ainda conservadora na Região Autónoma da Madeira. E, pela primeira vez, celebrou-se o Orgulho num espaço público, no Arraial Madeira Pride”. Uma série de acontecimentos associados fizeram “com que se abrisse caminho a uma sociedade mais segura e inclusiva, num meio onde o coming out possa ser mais fácil”.

“De facto, tudo isto foi possível devido às sinergias criadas, mas não teria acontecido sem a Câmara Municipal do Funchal que, desde o primeiro momento, apoiou o evento a nível logístico e financeiro. No entanto, as dificuldades são bem reais, sendo que, em 2017, o financiamento foi disponibilizado já bem perto da data do evento, o que atrasou o pagamento a fornecedores e pôs em causa a realização do Arraial, tendo sido necessário a ajuda das associações e pessoas integrantes na Comissão Organizadora do Madeira Pride, que tiveram que avançar com o seu próprio dinheiro para assegurar a realização do Arraial. Já em 2018, apesar dos esforços para angariar fundos através de eventos e de venda de merchandising, houve um prejuízo nas contas do Madeira Pride, sendo este assegurado pelas pessoas da Comissão Organizadora. Este ano, já foi realizado um evento de angariação de fundos, porém estes não asseguram a realização da terceira edição do Madeira Pride. Como forma de destacar a importância do movimento, foi formado um bloco insular na Marcha do Orgulho LGBTI+ de Lisboa, marco histórico, muito elogiado e que tirou as ilhas do armário, mas com recursos financeiros dos próprios voluntários do Madeira Pride. E, repare-se, devido ao preconceito e ao medo, o Madeira Pride ainda não é um evento apelativo para as marcas e empresas madeirenses patrocinarem”, refere-se. 

Apesar das dificuldades, o Madeira Pride passou a ser um momento de referência para as pessoas LGBTI+ mas também para todas aquelas que acreditam numa sociedade madeirense e portossantense inclusiva e igual em direitos. Queremos que o Madeira Pride continue a ir de encontro às necessidades e reivindicações da comunidade local e que seja uma oportunidade para quebrar os preconceitos e estereótipos e, sobretudo, a invisibilidade, o isolamento e a insularidade. Queremos um evento cada vez maior, melhor e mais representativo da nossa comunidade local e do Orgulho LGBTI+ a um nível nacional e internacional. O Madeira Pride é a oportunidade para quebrar as insularidades, de criar pontes associativas e activistas entre a região e o continente e de aproximar as comunidades LGBTI+ insulares e continentais, diz a organização, que quer ver reconhecido valor económico no Madeira Pride, que “impulsiona o comércio local e pretende também chamar as marcas e empresas para a sua responsabilidade social, que numa região insular, é ainda mais crucial que estas se expressem contra a homofobia, bifobia e transfobia, e abracem a inclusão”.