Bloco de Esquerda perde deputado e perde grupo parlamentar, Deesy Pinto substitui Trancoso mas como independente

DEESEY
Deesy Pinto assume lugar na Assembleia como independente e retira, assim, a condição de grupo parlamentar que o Bloco tinha.

Deesy Pinto, a terceira candidata do Bloco de Esquerda na lista de 2015, que vai substituir Rodrigo Trancoso, que renunciou ao cargo de deputado na Assembleia Regional, com saída formalmente prevista para domingo, 1 de setembro, assinou ontem, 27 de agosto, o termo de aceitação no Parlamento Madeirense, mas como deputada independente, por divergências com o entendimento da atual liderança, relativamente a esta alteração. Por direito entrava Deesey, mas Paulino Ascenção queria outro.

Deesy Pinto nasceu na Venezuela, tem 38 anos de idade, trabalha no Centro de Química da Madeira e é docente na Universidade da Madeira.Já foi militante do Bloco mas decidiu desfiliar-se em 2016 descontente com o rumo das políticas seguidas pelo partido.

Esta decisão agora assumida significa, no imediato, que o BE perde um deputado e, consequentemente, a condição de grupo parlamentar, que é atribuída com a eleição de pelo menos dois deputados. A partir de segunda-feira e até à véspera da tomada de posse dos novos deputados saídos das eleições de 22 de setembro, Roberto Almada será o deputado único do BE.

O pedido de renúncia, por parte do ainda deputado Rodrigo Trancoso, na Assembleia Legislativa Regional da Madeira, por motivos relacionados com a sua atividade profissional e com o início do ano letivo, é professor em São Vicente, promete “dar que falar” e está a causar algum incómodo no partido a menos de um mês das eleições regionais, não obstante em termos práticos a situação não resultar em grandes implicações, uma vez que a atividade parlamentar está parada e mesmo em termos de representação não trará quaisquer consequências a partir do momento em que a anterior Conferência de Líderes passou a denominar-se, como atualmente, Conferência de Representantes, deixando em aberto a participação de partidos mesmo com um deputado. Mas na prática, em termos formais, há uma mudança efetiva de perda de deputado para o Bloco, que fica assim como um partido de parlamentar único.

O lugar deixado vago deveria ser ocupado pela candidata que se encontrava em terceiro lugar na lista de 2015, Deesy Pinto, mas a liderança de Paulino Ascenção queria que fosse Egídio Fernandes, o candidato que figurava na quarta posição. Para isso, precisava do consentimento de Deesy Pinto, o que não aconteceu. A candidata aceitou ficar e afirma, em declarações ao Funchal Notícias, que a sua decisão “não tem nada a ver com questões de ordem financeira, mas sim de entendimento que além de ser um direito, os partidos devem respeitar os candidatos e o trabalho dos mesmos, uma vez que aqueles que não foram eleitos também trabalharam muito para que os resultados do partido. Espero até que a minha decisão possa ser exemplo para todos os partidos, no sentido de terem em conta todos os que trabalham para os resultados globais”.

Deesy Pinto foi chamada para assinar uma declaração aceitando que o quarto da lista assumisse o lugar do Rodrigo Trancoso, mas acabou por optar por assumir efetivamente o cargo, documento já assinado e enviado a Tranquada Gomes, o presidente da Assembleia, com efeitos a partir de 2 de setembro, próxima segunda-feira.

O Funchal Notícias contactou o líder do Bloco de Esquerda na Madeira, Paulino Ascenção, que não quis prestar declarações sobre o assunto.