
Fotos: © Alfredo Rodrigues
O bispo do Funchal, D. Nuno Brás apelou hoje, na Festa de Nossa Senhora do Monte, a um debate de ideias elevado entre todos os candidatos às eleições de 22 de setembro (Regionais) e 6 de outubro (Nacionais).
Foi na homilia da solenidade de Nossa Senhora do Monte, na Igreja que escolheu para iniciar o seu Episcopado, depois de tomar posse, em Fevereiro de 2019.
“Dentro de dias, a nossa Ilha vai entrar num período eleitoral, sempre decisivo para a sua vida como sociedade, como autonomia e como parte naturalmente integrante do todo nacional português.
Todos somos chamados a votar, e é importante que todos participem na escolha daqueles que desejamos fiquem à frente da nossa região e do nosso país por um período de 4 anos — aqueles que hão-de fazer as leis que nos governam; aqueles que hão-de administrar o dinheiro comum proveniente dos impostos que pagamos; aqueles que, em nosso nome, hão-de escolher os caminhos que todos havemos de percorrer nestes próximos anos. Havemos de o fazer tendo em conta a dignidade de todo o ser humano e os valores cristãos que, desde sempre, dão forma ao nosso viver madeirense e português.
Durante a campanha eleitoral, os candidatos mostrarão legitimamente os seus programas, o que os diferencia dos demais, aquilo que se propõem realizar e aquilo por que irão lutar caso sejam eleitos. É a vida democrática, conquista preciosa da nossa civilização, que faz corresponder a cada adulto um voto — o mesmo é dizer: que reconhece a mesma dignidade a todos os cidadãos adultos de um país, quaisquer que eles sejam: que não os diferencia pelo dinheiro que possuem, pelas capacidades que têm ou pela sua notoriedade, mas que a todos iguala pelo facto de serem seres humanos, cidadãos na posse plena das suas capacidades.
Nos últimos tempos, mais que mostrar as suas propostas para a Região e o País, as campanhas eleitorais têm, infelizmente, sublinhado os ataques pessoais, a desvalorização do outro candidato, por vezes até através de calúnias. Faço, nesta celebração da solenidade de Nossa Senhora, nesta festa da nossa padroeira, um apelo sincero mas firme a todos os candidatos: que este tempo de campanha eleitoral possa ser um tempo e um espaço de civilização. No contraste natural que evidencia a diferença das ideias e das propostas; no mostrar a diferença das pessoas, das suas capacidades e projectos, peço que todos sejam capazes de manter a elevação do debate e o respeito pela dignidade dos intervenientes.
Que a Senhora do Monte conduza a todos — eleitores e candidatos — a atitudes dignas e a escolhas acertadas para o bem comum, para o bem da nossa Região e do nosso País, em direcção à construção de uma sociedade cada vez mais humana, onde todos possam encontrar um modo de vida que os conduza à glória que, já agora, vemos resplandecer na Virgem Santa Maria, e que é a glória maior, que jamais poderíamos exigir ou imaginar para o ser humano, para nós, mas que Jesus Cristo a todos quer oferecer”.
Antes porém, D. Nuno Brás disse que o Cristão não deve confinar a sua existência à realidade espiritual.
“Não nos peçam, por isso, a nós cristãos, que fiquemos confinados às realidades espirituais. Não nos peçam nunca para nos esquecermos da vida dura, do trabalho, da política, ou até do divertimento. Não nos peçam para calar a verdade do homem na moral, quer dizer, em tudo o que diz respeito às escolhas (pessoais, sociais, comunitárias) que sempre temos que realizar. Isso seria aceitarmos que uma parte importante da nossa existência — aquela que diz respeito à nossa vida corporal, à nossa vida com os outros — estaria fora da salvação.
E o caminho para a salvação plena fazemo-lo já agora, no tempo presente. Por isso, nós cristãos temos não apenas o direito como o dever de falar, de lutar por uma sociedade sempre mais plenamente humana; por relações entre pessoas em que todos possam ser respeitados na sua dignidade; por modos de existência que não caiam em soluções fáceis mas que nos tornam profundamente desumanos, a nós e a toda a sociedade: é mais fácil abortar uma criança que cuidar dela; é mais fácil matar, eutanasiar, um doente ou um idoso que cuidar dele, que proporcionar-lhe os cuidados que estão ao nosso alcance para o ajudar e acompanhar nos seus últimos mas preciosos momentos da vida”.
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