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Esta estória verídica aconteceu há muitos anos, contada por meu pai, mas em que eu também intervim, teria eu os meus 9 anos. O prédio ainda existe, um prédio alto de 3 andares, que faz esquina frente ao Hotel Madeira, e fica em frente ao nosso Jardim de S. Francisco.
Vivia lá uma família, pai, mãe e uma filha pela minha idade; do nome não me recordo, mas sim da casa; não me lembro como as relações entre as famílias aconteceram, mas sim da minha mãe, da Senhora e da filha.
No 2º andar do prédio, entre as várias divisões, havia uma que era o quarto dos brinquedos, que me deixava de boca aberta: dentro do quarto havia uma grande casa de bonecas que ocupava mais de metade do mesmo, com as várias divisões (como se fora uma casa real) todas elas mobiladas – podia-se entrar dentro, que espanto! Para mim, brincar com essa amiga era um gozo, no bom sentido. Como tínhamos vindo de Lisboa há pouco tempo e estávamos hospedados na Pensão Vista Alegre (1944), era muito simpático tomar chá e conversar, pois a minha mãe ainda não tinha tido tempo para fazer amizades, a não ser com os nossos muitos parentes que viviam no Funchal. Um dia, o meu pai chegou das aulas com a notícia de que o pai da minha amiga tinha vendido um dos olhos, trocando por muito dinheiro, porque estava endividado. A notícia espalhou-se pela cidade e o Senhor passou a ser conhecido pelo “homem do olho de vidro”. Nada mais soubemos e não voltámos a visitar-nos. Quem eram? Ainda há descendentes ? Até hoje, já perguntei a muita gente e nunca se veio a saber a verdade.
Se alguém ao ler a estória, souber algo, agradeço.
Outra estória real, contada e confirmada pelos meus pais, foi a “Mão de Sangue”, que num fim de tarde, passeando pela rua do Surdo no Funchal, ocorreu um crime sangrento, estória de amores e ciúmes que assustou e abalou toda a cidade. Anos mais tarde, João Augusto Ornelas escreveu a estória, mas aquele sangue vermelho, no meu pensamento ainda o vejo; muito me impressionou sempre que o recordo e penso que casos como este, no mundo actual,se dão a cada passo. A vida deixou de ter valor e é com isso com que os nossos vindouros terão de viver.
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