Bispo alerta para a “responsabilidade” dos escolhidos e para o viver com a “fragilidade” e o “pecado”

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André Pinheiro e Marco Augusto, hoje ordenados na Sé do Funchal.

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O presidente do Governo Regional marcou presença, hoje, na ordenação sacerdotal dos dois novos padres.

Foi hoje, na Sé do Funchal, a ordenação sacerdotal de André Pinheiro e Marco Augusto, os novos padres da Igreja Madeirense, numa cerimónia presidida pelo Bispo do Funchal e com a presença do presidente do Governo Regional, Miguel Albuquerque.

O momento, para D. Nuno Brás se dirigir aos novos sacerdotes, dizendo que são “uma escolha de Jesus  — sua iniciativa e responsabilidade. Hoje, aqui, desaparece qualquer glória vossa. A iniciativa é de Jesus, e apenas ela há-de prevalecer: iniciativa que é missão irrecusável, tarefa a realizar, imperativo a viver. Uma escolha do Senhor, relevada pelo Bispo, que contrapõe com a responsabilidade de resposta por parte dos escolhidos na sua missão à comunidade.

Sublinha o chefe da Igreja Católica Madeirense que “sabemos o que é viver como Filho: dependente do amor do Pai, obedecer-Lhe, acolher a Sua vontade sempre, até ao fim. Mas sabemos igualmente até onde chega a identificação do Verbo com a carne, o mesmo é dizer: com a nossa fragilidade, com o nosso pecado. E sabemos como a sua vida, o seu respirar, o Seu Espírito é, na ressurreição, entregue aos discípulos (Jo 20,22)”.

“Dar a vida” na ordem da redenção (depois que, na história, aquele amor primeiro da criação foi recusado e transviado; depois que o homem escolheu viver como pecador), dar a vida significa, na vida de Jesus redentor, esquecer-se de si para obedecer radicalmente ao Pai até ao fim, significa querer que a sua vontade se identifique plenamente com a do Pai. Mas dar a vida na ordem da redenção significa também encarnar, identificar-se com os homens até viver o drama da morte como eles, com eles e por eles.”

D. Nuno Brás faz alusão às palavras do Senhor para fazer passar a mensagem relativamente ao que aponta como a escolha e os que são escolhidos para este desafio no seio da Igreja Católica: “Não fostes vós que me escolhestes; fui Eu que vos escolhi e destinei, para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça” (Jo 15,16). Aos que com Ele tinham partilhado a Última Ceia — a quem o Senhor tinha lavado os pés —, aos Doze, o Senhor Jesus impede qualquer tentativa de reivindicar para si o sucesso da vida nova que o Mistério Pascal faz surgir. Nem sequer a glória do primeiro passo, a glória da iniciativa, a glória de uma escolha do Mestre, como então acontecia com os discípulos dos rabis”.

Padres ordenação novas B“Fui Eu que vos escolhi”: o Senhor assume a iniciativa, como assume igualmente o risco, a responsabilidade da escolha. Ele conhece aqueles que tem diante: conhece o seu coração e a sua inteligência; as suas qualidades e defeitos; a sua coragem e o seu medo. Mas recusa que as capacidades dos discípulos sejam elas a dar substância ou, sequer, a dar forma à actividade apostólica. É o amor recebido do Pai — e só ele — a oferecer a substância e a forma do agir apostólico. E apenas desse modo a missão tem garantia de fruto”.

O Bispo lembrou que nos habituámos “a chamar o que está à nossa volta pelos nomes que mais gostamos, pensando que, desse modo, com os nossos poderes humanos, damos início a uma nova realidade, a um mundo novo. Nada mais ilusório. E, assim, chamámos “amor” a um sentimento humano transitório, frágil, criado à nossa imagem e semelhança. E, desse modo, julgámos poder fugir à dureza — à cruz! — que o amor de Deus sempre traz consigo. Esquecemos que, desse modo, voltámos as costas também à ressurreição, à alegria”.

“Mas um Padre é a presença do amor — daquele “amor maior”, do amor crucificado, único a poder dar a vida: “assim como o Pai me amou, também Eu vos amei: permanecei no meu amor”. Ao mundo inteiro, e em particular àqueles que nos estão confiados, às nossas comunidades, cabe-nos a tarefa de recordar (pela nossa vida e pelas nossas palavras) que o amor verdadeiro e maior não o podemos nós criar ou inventar: é antes vida recebida do Pai, dom imerecido, que apenas podemos agradecer (“eucaristiar”) e, com a força da graça divina, procurar corresponder”.

D. Nuno Brás disse que “hoje, nesta catedral, o Senhor Jesus entrega-vos o seu testamento, como fez naquela noite de Quinta-feira Santa aos que com Ele tinham participado da Última Ceia e recebido o ministério apostólico. A Sua Palavra — a Palavra que nos vem de Deus, a Palavra que é Deus — ultrapassa as barreiras do espaço e do tempo para se tornar acontecimento hoje, aqui, nas vossas vidas, nas nossas vidas”, reforçando que “hoje o Senhor confia-vos, faz-vos participantes do seu único sacerdócio. Ele torna-vos Sua presença, aqueles por meio de quem o amor divino se torna visível, actuante, graça a jorrar para a Igreja e o mundo. Aqueles para quem os cristãos e o mundo devem poder olhar e descobrir o amor do Pai presente, acessível, próximo de todos”.

“Sem o sacerdócio de Jesus, poderia a Igreja julgar que tem, por si mesma, a capacidade de criar o amor — nesse preciso momento teria deixado de ser a Igreja de Jesus! — poderia reduzir Jesus a um mero ponto de referência histórica, ponto de partida de uma ideologia modificável segundo os gostos, as modas, as apetências humanas; transformável de acordo com a subjectividade de cada um. Assim o exige de Jesus o mundo (desde sempre, mas, sobretudo, o mundo contemporâneo)!”

Para D. Nuno Brás, “ao sacerdócio ministerial cabe hoje (como em qualquer outra época da história), antes de mais, a tarefa de recusar a separação entre a Igreja e Jesus Cristo. “Tal como o Pai me amou, também Eu vos amei. Permanecei no meu amor”: ao sacerdócio ministerial cabe a tarefa de recordar, de ser presença viva e exigente desta centralidade do amor do Pai”.

“Dar a vida”: eis o que é próprio de Deus. Dar a vida na ordem da criação e naquela da redenção. Se parece claro o que significa “dar a vida” na ordem da criação — significa fazer constantemente surgir do nada e manter na existência tudo quanto tem ser —, não é tão claro para nós o que significa “dar a vida” na ordem da redenção.