Gregory Porter brilhou em concerto no Funchal com interpretações emotivas

Fotos: Rui Marote

Gregory Porter não teve dificuldade alguma em conquistar o público que ontem encheu o recinto do Parque de Santa Catarina para o ouvir e à sua banda. Muitos já eram seus aficionados. Com a sua voz quente e vibrante, e uma genuinidade inquestionável de interpretação e presença em palco, percorreu os temas do seu repertório com um impressionante à vontade, estabelecendo sempre uma corrente de comunicação com a assistência, que conseguiu pôr a cantar em coro, sem qualquer dificuldade.

 

Acompanhado pela mesma banda com que se apresentou em 2016 no Funchal Jazz, Gregory Porter não deixou os seus créditos por mãos alheias. Mas, títulos à parte (e o cantor, com Kurt Ellington um dos poucos verdadeiros vocalistas masculinos do jazz contemporâneo, tem certamente arrecadado uns quantos, entre Grammys e distinções da crítica), a sinceridade da sua proposta, que pisca o olho a vários estilos musicais, entre os quais o soul e o rhytm’n blues, tornou ontem claro porque a sua fama é sempre crescente, mesmo para os que demoram a render-se-lhe. Numa apresentação de enormíssima qualidade, vergou à sua arte espíritos renitentes e fez soar as cordas da alma a muito boa gente.

Acompanharam-no Albert ‘Chip’ Crawford (piano),  Jahmal Nichols (contrabaixo), Emanuel Harrold (bateria) e Tivon Pennicott (saxofone). Magnífica a interpretação de “Musical Genocide” e “When love was king”. Engraçado e divertido o “clin d’oeil’ do contrabaixista a Stevie Wonder, a dado momento. Todos os músicos são bons, sem dúvida. Ontem à noite, Jahmal Nichols e Tivon Pennicott destacaram-se particularmente. Pennicott um excelente saxofonista, indubitavelmente.